Poesias

José Júlio Martins Torres

Titular da Cadeira nº 23

 

CAMINHADA AO LUAR

Em 1995, quando era funcionário do Banco do Nordeste,

eu fiz um Curso de Consultoria Interna, no qual se trabalhava

muito a questão da consciência, também corporal, por meio

de Dinâmicas e de Vivências Biocêntricas. Após o término do

Curso, resolvemos fazer um trabalho de Consciência Corporal

com o maratonista e terapeuta corporal, Norval Cruz, que

toda noite de Lua Cheia faz uma Caminhada ao Luar com um

grupo, nas imediações da praia da Abreulândia, em Fortaleza.

Trata-se de uma caminhada de três horas e meia, todos

em absoluto silêncio. Inicialmente, às 22 horas, se fez um ritual

no qual se pediu, aos nossos ancestrais e aos espíritos da

Natureza, permissão para adentrar a mata. Norval Cruz, à frente,

a certa distância, todos adentram a mata próxima à praia, às

vezes rastejando mesmo. De vez em quando, parando, observando

e escutando o silêncio da Natureza. Chegando às dunas,

sobe duna, desce duna, rastejando, rolando. Observando

tudo em absoluto silêncio. Terminamos a caminhada quando

já era uma hora da manhã, todos formando uma roda, dentro

do mar, todos abraçados pela cintura e também com água pela

cintura. Somente, então, cada um falou sobre as suas impressões

sobre a caminhada.

Durante a caminhada eu observei que existe Mandacaru

na mata e até nas dunas próximas à praia. O Mandacaru, uma

planta bem característica da caatinga, cresce bem junto ao

Murici, que é uma planta característica da praia. Eu fui o último

a falar. Então, saiu, na hora, a seguinte poesia:

  • * * *  *  *

 

CAMINHADA AO LUAR

Tendo as dunas como piso

E como teto o luar,

Encontrei um sertanejo

Bem na beirinha do mar...

O velho Mandacaru,

Com um praiano a conversar...

O praiano, Murici,

Bem junto dele, a brotar.

Cheguei-me, bem de mansinho,

Para melhor escutar...

Estavam os dois falando,

Como que a me ensinar,

Que: Se estamos neste mundo,

É somente para amar.

 

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