Discursos

 

Maria Silonildes de Mesquita

Titular da Cadeira Nº 38. Patrono: Oséas Martins

 

 

Discurso de posse de Maria Silonildes de Mesquita, como Presidenta da Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes para o biênio 2024/2025.

Ipu, Ceará, 13 de Janeiro de 2024

 

Boa noite a todos os presentes!

Ilmo Sr. Robério Wagner Martins Moreira, Dignissímo Prefeito Municipal de Ipu.

Ilmo Sr. Dr. João  Martins de Souza Torres, Presidente de Honra da Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes.

Demais membros desta mesa.

Senhoras e Senhores acadêmicos.

Permitam-me, começar esse pronunciamento da forma como normalmente ele se encerra: agradecendo. Agradecer, sempre em primeiro lugar, a Deus, pela oportunidade de viver este momento. Como todo aquele que crê profundamente na soberania do Divino sobre a carnalidade, somente posso invocar a ideia de que a Ele deve ser dada toda honra e toda a glória. Agradecer aos meus pais: Antônio Mesquita Parente e Maria de Lourdes Carneiro Mesquita (ambos in memóriam), dos quais sempre pude obter bons exemplos como, determinação e força para conquistar os meus objetivos.

Agradecer aos meus filhos pelo apoio e compreensão sempre a mim dispensada. Eles já sabem, que quando mergulho em um desafio que a vida me traz, procuro dar o meu melhor. E não se queixam, mesmo por muitas vezes eu ficando distante deles. São os meus amores e meus queridos rapazes! Também quero agradecer aos meus irmãos, à minha família Carneiro Mesquita como um todo, pois amo fazer parte desta família.

Agora, saúdo a mesa diretora na pessoa ilibada do nosso presidente, Henrique Augusto Pereira Ponte e do nosso Presidente de Honra, Dr. João Martins de Souza Torres e demais confrades que hora compõem esta mesa.

Volto a agradecer, publicamente, a cada um dos acadêmicos que, do alto de seus méritos incontestáveis e notórios, ousaram indicar e sufragar o meu nome, em uma manifestação de profunda estima e confiabilidade, uma vez que temos aqui muitos outros acadêmicos, com um acentuado grau de competência e intelectualidade.

 Agradeço a todos os amigos que compareceram nesta noite, para me abraçar e testemunhar este momento único em minha vida.

Meus queridos amigos, a nossa maneira de viver determina os nossos pensamentos e nos ensina a viver com arte, com maestria. Daí percebe-se que a cultura de um povo está diretamente ligada ao exercício do pensamento e a geração de conhecimento. E a partir da cultura as mensagens são aprisionadas, transmitidas através dos textos literários, pinturas, esculturas, arte cénica e outros. Portanto, defendo aqui, que devemos incentivar às novas gerações a ser seres pensantes, tornarem-se bons leitores e consequentemente excelentes escritores. E para isso, se faz necessário trazermos o público jovem para este espaço. Pois é de pequeno que nos tornamos bons leitores e supostamente, excelentes escritores ou produtores de artes plásticas de uma forma geral.

Quando em 2017 adentrei nesta Confraria, no meu discurso, já deixei bem claro,esta minha posição. Uma das nossas metas para este novo biênio, é concretizar o sonho do acadêmico Abílio Lourenço Martins: Vamos juntos fundar a Academia Juvenil de Letras do Ipu!

Sou profundamente apaixonada por tudo aquilo que faço, procuro sempre dar minha excelência, muito embora, notadamente, a minha excelência não seja a excelência do outro. Acredito, sinceramente, que não vim à vida à passeio. Por isso, execro da minha vida toda forma de apatia. Em resumo; sou apaixonada e vibro por tudo que faço. Sempre procuro caminhar lado a lado com o dinamismo e a construção de novas realidades.

Aproveito para convidar que cada um de vocês estejam ao meu lado nesta nova jornada, fazendo que nossa Academia continue sendo modelo para as cidades vizinhas. Unidos, seremos mais fortes, sempre! 

A AILCA é uma das instituições mais poderosa e legitimada do Ipu. Portanto, a missão desta casa é nada mais nada menos do que a defesa da nossa língua ,das ciências e das artes. O conceito de língua como instituição social não é coisa nova. Está colocado, formalmente, desde 1867, por William Whitney. A língua não existe fora da sociedade e o intercâmbio social não existe sem ela. Somente, assim, podemos vislumbrar o tamanho dessa missão e sua responsabilidade social e democrática. A língua define a unidade de um povo e as fronteiras geopolíticas. Desta forma, o uso da língua pode ser o espaço da pertença, de exclusão, da separação e até da eliminação do outro. Com isto, quero dizer que precisamos da parceria da Prefeitura de Ipu nos nossos projetos, especialmente àqueles que envolvem os estudantes, como já vem acontecendo.

Nossa Academia é viva e muito bem faz a esta cidade, afinal é um orgulho para o Ipu e os ipuenses! Quando se fala em língua, não estamos aqui falando somente da fala, na comunicação. Estamos também falando da Língua Portuguesa, uma das razões que justifica esta Academia. Ela cruzou os oceanos para fincar raízes profundas entre nós. Enriquecida pela contribuição dos que forjaram a nacionalidade brasileira, como os africanos, os indígenas, os imigrantes italianos, árabes e japoneses, entre outros, a última flor do Lácio é o universo no qual movemos a nossa imaginação e a partir do qual nos integramos à lusofonia, comunidade de milhões de pessoas espalhadas por diferentes continentes, falando português, cada uma ao seu modo. Portanto o culto à literatura e aos livros também é algo que motiva o encontro dessa noite.

Os livros são remédios excelentes, são hábeis em transportar seus leitores para universos imaginários, provocando risos, choro, espanto e até mesmo curando as doenças da alma. E assim, a literatura acolhe gêneros e temas variados. Comprovando a riqueza da experiência da espécie, ao longo da história. Afinal, a Academia não é apenas o lugar do cânone, do consagrado, da tradição. Ela deve ter a vista larga, que alcance o novo, o experimental, o transgressor e o imprevisto.

Um dia, Fernando Pessoa disse que “a minha pátria é a minha língua portuguesa”, Mia Couto falou, mais recentemente: “Minha pátria é a minha língua portuguesa”. Portanto sabemos que a língua é uma construção conjunta, assim já falou José Eduardo Agualusa. Somente cabe a nós flagrar os movimentos do idioma, estudá-los e difundi-los, sobretudo junto às novas gerações. A Academia não defende esse ou aquele gosto literário. Esse não é o seu papel. Ela defende, antes de tudo, o amplo acesso ao livro, o direito vigoroso à leitura e a uma reflexão crítica sobre os livros e a leitura, para que os leitores possam formar as suas preferências e desenvolver o paladar literário com que se sentirão confortáveis. Ela deve se firmar como o lugar do diálogo entre a tradição e o contemporâneo, do qual, seguramente, muitos frutos suculentos podem resultar. A nossa academia já é um espaço de arte e cultura, onde iremos dar continuidade ao projeto “Academia de portas abertas”, ao Prêmio Archimedes Memória e outros que poderão ser desenvolvidos.

Quero aqui, parabenizar aos fundadores desta Arcádia e falar o quanto eles foram felizes e iluminados por criarem um projeto tão ousado que vem dando certo a cada gestão. E peço agora uma salva de palmas para eles. Também convido a todos os confrades, a abraçarem com mais entusiasmo nossa Academia. Precisamos nos dar as mãos e por em prática tudo aquilo nos propusemos a fazer, quando de nossas posses. Afinal, somente com determinação e principalmente muito amor é que, se muda paradigmas e se fortalece uma Confraria. Por acreditar na força do amor, a nossa diretoria será chamada: DIRETORIA, O VERBO È AMAR !

Também, trago à memória nesta noite, a pessoa do nosso presidente de honra Dr. Thomaz de Araújo Correa, pois quando aqui cheguei, em 2017, ocupei a cadeira de número 38, ele deu-me boas vindas e fiquei muito feliz, pois aquelas mesmas mãos me pegaram ao nascer e testemunharam o meu choro de alegria, por sentir que estava vindo ao mundo! Isto nos lembra do quanto a vida é passageira e fugaz. Portanto, precisamos trazer à memórias boas lembranças e deixar marcas de bondade no coração das pessoas.

Como vemos, a minha responsabilidade não é pequena. Só aceitei o desafio porque sei que posso contar com cada um dos acadêmicos nesta jornada que hoje se inicia. É com muita honra e alegria, que hoje a AILCA está empossando dois novos acadêmicos que com certeza, muito irão acrescentar a esta confraria. Então, minhas boas vindas para Maria das Graças Dias Ribeiro e Francisco Kleber Viana Torres. Saúdo aos dois com muita alegria !

Durante os próximos dois anos, não pouparemos esforços para dar a essa casa o que ela merece. E para entregar ao público o que ele espera. Para isso, será preciso caminhar ao lado de uma equipe de funcionários, de parceiros e de patrocinadores que sejam entusiasmados e apaixonados pelo campo da cultura, das ciências e das artes.

Também quero aqui, saudar, mesmo de longe, todos os ACADÊMICOS CORRESPONDENTES, pois vocês são muito importantes para nossa Academia. Comunico-os que muito em breve faremos uma reunião e nesta veremos como iremos divulgar mais nossa Academia, onde a mesma está de portas abertas para recebê-los.

Também, quero aqui, citar o nome do meu Patrono, Oséas Martins. Ipuense radicado no Rio de Janeiro, bacharel em direito, jornalista ilustre e que nunca esqueceu a sua terra natal. À sua memória rendo aqui minha justa homenagem.

Senhor Presidente de Honra, ilustres acadêmicos, senhoras e senhores convidados, dentro deste ambiente literário, peço permissão, ao concluir minha mensagem, para referendar o imortal William Shakespeare com o seu poema; “O Menestrel.” Onde nele vejo retratado também, o meu modo de pensar e de ver a vida.

Obrigada a todos !

O Menestrel - William Shakespeare

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.

Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la
E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…


Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa aonde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.

Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não para para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.

E aqui me despeço, dizendo que este momento ficará registrado no meu coração e na minha memória.

Meu muito obrigada a todos.

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