Crônicas

 

José Maria Bonfim de Moraes

Titular da Cadeira Nº 21 - Patrono - Abdoral Timbó

 

 

Ipu é somente festa em Janeiro.

Nasci nas ribeiras tépidas do Rio Poti. Mas me fiz crianças nos logradouros, silenciosos e líricos do Ipu. No Ipu onde a Serra da Ibiapaba se alevanta qual muralha misteriosa e encantadora.

Cada manhã na Casa Paroquial, era uma nova imagem da infinita Serra. As brumas das  manhãs, envolviam a Serra num misto de zelo e de beleza. E quando o rossio se anunciava, as brumas iam lentamente se encolhendo. E os alcantis da serra iam se despindo lentamente. E a Serra nua.

Despida das ancas da argila porosa, deixava ver a Bica do Ipu se despencando, Serra abaixo a busca de vestir um corpo nu. Ou deixar-se flutuar em qualquer remanso. Nem José de Alencar entendia os mistérios da serra. Muito além daquela Serra. 

E foram incontáveis janeiros, o mês da partilha. Partilha das saudades. Das ausências. Das chegadas e das partidas. Mas não era somente esta beleza da natureza que nos encantava. Era o povo. O povo que não esquecia do seu chão. Era a banda de música. Era a novena. Era o mártir santo enchendo de esperança tantos devotos.

Uma tradição que se perpetua. Um povo que guarda com carinho os seus cantares. Adorna suas saudades, seus pomares. Onde colhem uma flor de alguém que partiu.

É sua Academia o coração vivo da cidade. Poetas. Cordelistas. Artistas talentosos. Em janeiro vá ao Ipu. Vc só terá alegria.

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