Crônicas

José Solon Sales e Silva

Titular da Cadeira nº 34

PULADEIRA DE CORDA

            Brincadeira de pular corda é antiga e hoje quase não se vê mais. Jogos eletrônicos, internet, celular e similares deixaram estas atividades para trás. Entretanto, em nosso núcleo familiar, de tempos em tempos, nos finais de semanas na casa do Bertim e Joaninha, em Paracuru, a brincadeira de pular corda com a meninada é vivenciada por toda a família, dos mais novos aos mais velhos.

            “Um homem bateu em minha porta e eu abri.

            Senhoras e senhores pulem num pé só.

            Senhoras e senhores ponham a mão no chão.

            Senhoras e senhores deem uma rodadinha.

E vá pro olho da rua.”

Os versos são ritmados de acordo com a intensidade com que se balançam a corda e ditos pelos balançadores. Depois, trocam de posição. Os que balançavam vão pular e os que estavam pulando vão balançar.

Joaninha sempre incentivou os netos e as crianças que frequentam o Rancho Campo Nobre a vivenciarem as brincadeiras das nossas infâncias: jogos de bila, arraia, pular corda, cama de gato. Em cada temporada sempre há a brincadeira da vez e Joaninha, como líder nata, chefia estes momentos.

Netos e visitantes absorvem os ensinamentos. E nós, que já chegamos a terceira idade também participamos e pulamos corda. A meninada gosta muito. Joaninha ensina todas as técnicas que vão de como balançar a corda, como entrar na corda para pular, como sair e tudo isso sem cometer nenhum erro. Ela ainda aguentar pular o pimentão. Dentre as técnicas de balançar a corda estão a pimenta, ritmo lento; a pimentinha, ritmo mais acelerado e o pimentão que é bem rápido.   

O que vocês não sabem é que Joaninha, já setentona, pula corda com os netos, irmão, noras e filhos. Nunca vi tanta energia e forma física como a da minha irmã. Nunca vi tanta vontade e alegria em ensinar e brincar com os netos coisas simples como pular corda. Pior que os meninos adoram, gostam muito destas brincadeiras e sempre chamam a vovó para fazer algumas brincadeiras. O que me orgulha e chama a atenção é a alta disposição da Joaninha. Energia, alegria, vontade de contribuir com a melhora de tudo.

Puladeira de corda é minha irmã. Linda, elegante, forte e sobretudo com porte fidalgo de garbo e bondade de avó, mas também bondade de irmã. Joana, uma grande puladeira de corda que passa valores aos netos, buscando a preservação de tradições.

Paracuru(CE), 03-06-2021

Jose Solon Sales e Silva

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