Crônicas

Abílio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

A honestidade compensa

            Lá pelos idos de 1977, dois jovens recém casados, desprovidos ainda de recursos para mobiliar o apartamento recentemente alugado, mas cheios de esperanças na construção de uma nova vida, retornavam da Missa num domingo frio e ensolarado de Porto Alegre.

            Conversavam displicentemente quando avistaram, à frente, um relógio feminino. Apanharam, se entreolharam e avistaram a algumas dezenas de metros, uma senhora gorda, com uma passada cansada e lenta, jogando-a para um lado, para outro.

            Os olhares dos jovens se cruzaram silenciosos; e neste silêncio ambos tiveram a certeza que à frente estava a proprietária.

            Apressaram as passadas. Emparelhados com a sexagenária senhora o jovem indaga-a pelas horas.

            Que susto tomou aquela senhora ao levantar o braço e não ver o seu estimado relógio no pulso. Aos gritos falou: Bah!! Perdi o meu relógio, vizinho!

            Felizes, entregaram o relógio a verdadeira dona.

            Menos de um mês do ocorrido, num final de tarde, a jovem esposa quando retornava do trabalho para a sua residência, encontrou na calçada da Rua Olinda, 295, onde morava, um relógio masculino. Olhou para um lado, para outro na expectativa de entregar ao verdadeiro dono, mas este não apareceu.

            Subiu constrangida entregando e narrando o fato ao marido.

            Esse relógio, de marca “Edox”, para mim desconhecida, usei por muitos e muitos anos.

            Abílio, 1º jun 2021

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