Crônicas

Henrique Augusto Pereira Pontes

Titular da Cadeira nº 27

 

FOI ASSIM EM CASABLANCA 

A moça pede uma canção, e dá-se a conexão.

Em seus olhos abrem-se portais.

Não são mais os olhos em si, sequer. São duas bolas de cristal a refletir o passado embotado. A canção a leva no tempo, embora o espaço permaneça ali. Súbito ela retorna e poderia ter dito:

“há muitos lugares no passado que se fixam na alma.”

Um homem pode ser um sentimental incorrigível sob o verniz de um cínico. Por um tempo, pode afastar os fantasmas da mente e mentir a si mesmo, mas, só por um tempo...pois, desgraçadamente, fantasmas atraem realidades, é da lei. Este encontro é inevitável e determina os destinos, suportáveis ou não.

O homem cínico e a moça da canção estiveram juntos com veia passional em algum lugar do passado. Passado que não cabe no presente que emergiu, mas que, milagrosamente, os conectou novamente em absurda sincronicidade num encontro de “pedras a esmo”.

Enfim, coisas que só acontecem em Casablanca, o filme . Ou não...

 

Mais artigos do Autor.