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Raquel Lima Damasceno
Titular da Cadeira Nº 33 - Patrono: Antônio Magalhães Martins

 

 

Série Escritores Ipuenses

Por: Raquel Lima Damasceno (Raquel Damali) – Acadêmica Cadeira 33

 

 

UMA AMOSTRA DO CONTEÚDO DOS FILHOS DO IPU E SUA GENTE

EU OUVI, EU VIVI...

(Autor: Vicente de Paulo Saboia)

Um daqueles livros que, depois de ler suas histórias, dá vontade de viajar pra rever a sua terra mas, com um agravo, não dá pra retornar no mesmo tempo daquela cidade bucólica...

O autor descreve suas memórias afetivas, em grande parte apreendidas na década de sua meninice mas, também, no decorrer desses anos, a referência paterna é destaque em suas lembranças.

E assim vai discorrendo, sobre aquele universo de sua infância e juventude... resgata termos utilizados costumeiramente (dar cavaco...); relembra figuras (o dentista da cidade); os moradores engenhosos e, por que não dizer, inovadores; sua bucólica Fazenda Barrinha; as estradas; alguns antecedentes; os "causos" do pai; as brincadeiras com sua turma na praça; o trem; o imaginário popular sobre "os comunistas"; enfim, narrativas de costumes e situações de uma época que, claramente, acalenta sua memória e nos empresta, um pouquinho, um cenário para viajarmos nesse tempo.

Segue um trechinho de uma de suas narrativas:

“(...) Uma de nossas brincadeiras prediletas no início dos anos 70 era brincar de pega-pega. Fazíamos isso nos mais inusitados lugares, na praça, ao redor da igreja e mesmo ao redor da prefeitura onde corríamos até ficar quase desfalecidos. A turma era grande e geralmente nos encontrávamos depois do almoço e à noite para as brincadeiras. Nosso ponto de encontro era o patamar da igreja e ali existia um pé de benjamim muito frondoso e cheio de galhos que era perfeito para subir. Inventou-se então a modalidade do pega-pega na árvore que era mais divertida ainda pelo perigo de uma queda e estas não foram poucas. Em determinados dias, mais de 15 moleques estavam trepados na árvore para a brincadeira...

 

... Talvez tenha morrido de velhice e durante este período não o vi mais. A imagem de Black saindo em disparada daquele portão é uma lembrança que não me deixa. Eram tempos bons que não voltam mais, quando levar uma carreira de um cachorro e talvez uma mordida era um divertimento e tanto."

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