Artigos

José Solon Sales e Silva

Titular da Cadeira nº 34

PREFÁCIO

            Ler sobre memórias é sempre muito prazeroso, pois elas guardam lembranças salutares de uma existência. As memórias nem sempre guardam saudosismo ou culto ao passado. No caso desta obra que registra os quinze primeiros anos de vida de uma jovem “botão, quase flor” o saudosismo dá lugar ao registro detalhado do crescimento de um ser. Jovem de excelente berço e que tem a graça de possuir um avô/padrinho escritor, sensível e preocupado em guardar, com riqueza de detalhes a fase mais linda do ser humano, a infância e início da adolescência.

            Ao ser convidado para prefaciar a obra fiquei surpreso e tentando entender aonde me colocar pois não sou escritor renomado embora tenha algumas obras publicadas. Aceitei o convite com honra e orgulho em quem sabe, contribuir da melhor maneira com presente valoroso escrito por um avô empenhado no registro do amor.  Creio que o convite ficou por conta do parentesco, de vez que sou tio torto, como se diz na minha terra, ou tio afim, com parentesco por afinidade o que muito me orgulha.

            O escritor, já com várias obras publicadas, Antônio Cruz Gonçalves, maranhense de Caxias, assim como seu conterrâneo Gonçalves Dias também é poeta. Não poderia ser diferente pois nasceu em terra abençoada e que conta com grandes nomes de expressão nacional, como Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, na área da literatura e Celso Antônio Silveira de Menezes, um dos maiores escultores do modernismo brasileiro sem contar com o idealizador da bandeira nacional, Raimundo Teixeira Mendes. Pois o Sr. Gonçalves nasceu nesta cidade cognominada de “terra das águas cristalinas”, berço de tantos homens valorosos como ele próprio.

            Há pouco cumpridos 80 anos é possuidor de um vigor intelectual invejável. Arguto, domina a escrita e escreve com leveza e clareza de ideias. Sua prosa chega à poesia de tão sutil e leve como as águas cristalinas de sua Caxias.

”RAFAELA 15 ANOS: UM BOTÃO, QUASE FLOR” é uma obra de memória também para os netos Alice, Letícia e Gabriel, pois, impossível escrever-se sobre uma única pessoa. Os escritos se entrelaçam e o avô é comum aos quatro. As memórias, além de individuais são coletivas e o avô zeloso também já escreveu poemas para estes encantadores netos. Rafaela é a neta primogênita foi quem ensinou o Sr. Gonçalves a ser avô.

            A obra, em sua inteireza, traça a memória da homenageada ano a ano, com levidade, polidez e zelo. Coisa de avô escritor. É de registra-se ainda a guarda de tarefas escolares que mostram a evolução e o aprendizado tornando possível uma leitura do crescimento a partir destas tarefas e fazeres da escola. O livro é permeado ainda de registros fotográficos mostrando a evolução física congraçada com a evolução intelectual pelos registros dos trabalhos escolares.

Rafaela é privilegiada em contar com um avô escritor e preocupado em guardar os registros. Esta obra, no âmbito da memória, será sempre perene não envelhecendo nunca pois o registro de vivências é permanente. Atrevo-me a dizer que estamos recebendo uma obra de memória literária. Avante Sr. Gonçalves, continue a mimosear seus netos e leitores com escritos de valor como este que chega as nossas mãos para leitura prazerosa.

José Solon Sales e Silva

Professor Titular do Instituto Federal do Ceará, Campus Fortaleza.

Acadêmico Titular da Cadeira Nº 34 da Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes.

In - GONÇALVES, Antônio Cruz. Rafaela 15 anos: um botão quase flor. Fortaleza: Premius Gráfica e Editora, 2021. Pág. 11.

Mais artigos do Autor.