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Francisco de Assis Martins

Titular da Cadeira nº 15

Destruição de Iracema – IPU

Em dias de um mês do ano de 1984 a estátua de Iracema erigida no Jardim do mesmo nome foi ao chão. Foi destruída por mãos levianas e maléficas o nosso mito maior a única do mundo A IRACEMA DO IPU. 

Foi-se!Partiu sem dizer adeus, partiu indignada com a falta de respeito à tão célebre monumento, partiu para morar no sepulcro previamente preparado para o seu repouso eterno ao lado da própria avenida. Partiu Iracema deixando a sua historia e a maviosidade de suas canções para trás, será? Nem o Guerreiro Branco ficou para chorar a sua partida, a sua despedida! Não só o Guerreiro como o seu Povo chorou muito e continua chorando a tão duvidosa partida, no semblante do Ipuense reside à lágrima dorida, sofrida pela sua partida Iracema. As criminosas mãos que a destruíram estão na negra história de sua terra – Iracema. Muitos ainda hoje ignoram a sua partida tão fugaz, veloz como seu pé ligeiro que tomava banho na sua Bica e enxugava os cabelos em Messejana na terra do seu criador.

Onde se encontram os seus restos mortais? Será que foram sepultados? Ninguém sabe! Sabemos apenas que a sua cabeça se encontra no Museu Frei Aquino no Distrito de Flores Município de Ipu. Iracema! Porque lhe trataram tão mal assim? O que fizestes para merecer tamanha devastação quebrando teu corpo, esmigalhando os teus braços e pernas, que tanta maldade fizeram contigo – Iracema!

Mesmo com um corpo sedutor vivido por Martim- O Guerreiro Branco que tanto prazer lhe dera, é fortemente estarrecedor o que cruelmente fizeram com você.

A tua Avenida onde está inserido o teu Jardim, as flores não brotaram mais como dantes, parece se encontrarem esmaecidas chorando uma lágrima amolgada com o orvalho das manhãs.

         As boninas já não se entreabrem mais, os miosótis poucamente sentimos, exalando o seu perfume nas bocas de noite ou até mesmo pelas madrugadas.

As tuas retretas sumiram, sempre com aquela maviosidade musical que embriagava a todos os viandantes. 

O Paredão também já não existe mais, compunha maravilhosamente aquela Praça que por muito tempo, ou melhor, no seu tempo partilhava daquela aquarela de rara beleza.

Os teus Bancos de Jardim que lhe rodeavam desapareceram misteriosamente, nunca soubemos o seu paradeiro. Às mungubeiras que lateralmente compunham a pracinha sofreu o golpe criminoso da moto serra, numa destruição implacável aos moldes de nossa civilização.

Pois é Iracema hoje apenas ti relembramos nas páginas do teu livro e nos escritos de muitos ipuenses.                                                          

Ipu 11 de dez 2011 - 11h31min 

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