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João Martins de Souza Torres

Titular da Cadeira nº 22

 

Um recado de João Martins à minha/nossa queridíssima Lucinha  (Lúcia de Sousa Belém).

A gente não queria nem assim, nem agora. Como pode? Você, sem avisar, partiu. Foi a DEUS, sem adeus! Isso não se faz, Lucinha ! “Seja feita a Vossa vontade”! É o nosso consolo, nosso lenitivo.

Lucinha, por que todos a queriam? Porque você queria a todos. É a terceira lei de Newton: ação e reação. Será que vamos esquecer você? Claro e certo que não. Ao invés de esquecer, vamos, sim, aquecer você em nosso coração, nesse órgão tão vital e misterioso, zelado e tratado competente e amorosamente por você, excelente cardiologista em toda a amplitude do termo.

A ausência física, sabe-se, é compensada pela presença espiritual mais intensa. Seus laços de amor, Lucinha, abarcam não só a nós médicos, mas indubitavelmente a todos. Todos mesmo, que com você tiveram o privilégio de trabalhar, especialmente na turbulenta, desafiadora e beneficente EMERGÊNCIA do Hospital de MESSEJANA. Poucos aguentam este batente por longo tempo! Você, pelos pacientes, bradava sem temor algum a qualquer autoridade. Se necessário, indignava-se. Era a “voz que clamava no deserto”.

Os pacientes, a essência da sua missão médica, tinham-lhe grande admiração e lhe dedicarão afeto e gratidão enquanto memória tiverem. Você lhes era o melhor remédio. Não precisava de prescrição. Precisava de ação, que nunca lhe faltou, minha santa, Dulce LÚCIA. Você fazia a seu modo: com prece, com pressa, com eficiência. Sem se mostrar! Simples e humilde. Essa é a Lúcia Belém. Não a Belém do Pará, mas a Belém da manjedoura, que generosamente acolheu o desacolhido MENINO JESUS.

Quão belas e sinceras mensagens e homenagens você, merecidamente, tem recebido de colegas, colaboradores, pacientes, amigos e familiares! Quantas lágrimas umedeceram os corações saudosos e ainda inconsoláveis! O LEGADO de LÚCIA vale uma reflexão final. Você, LÚCIA, fez o mundo ficar melhor. Foi uma grande missionária da SAÚDE. Como pessoa: digna, simples, humilde. NOBRE. “E agora, José ?”, sem LUCINHA? Agora, Drummond, a nós, admiradores e seguidores deste nosso precioso ícone, Dra. LÚCIA, é nos dado lhe prestar a maior das homenagens: continuar a sua sublime missão na área da Saúde.

A intrépida LUCINHA não vai aceitar o convencional “Descanse em paz” (Requiescat in pace). Na minha opinião ela não vai descansar enquanto a Saúde Brasileira não estiver em paz. Vai interceder ao TODO PODEROSO incessantemente. LUCINHA, Paz e Bem. Abraços muito saudosos do seu professor e discípulo João Martins.

Fortaleza, 22 jan 2021.

 

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