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Henrique Augusto Pereira Pontes

Titular da Cadeira nº 27

 

PELO BURACO DA FECHADURA 


Reflexões sobre a PALAVRA e VERDADES.


Será a PALAVRA apenas uma representação sonora de uma excitação nervosa ( sistema nervoso) ?!

Sim. Tudo que pensamos vem de estímulos nervosos.

Então, estamos submetidos aos nossos impulsos nervosos ?

Sim. Ao que tudo indica.

Então, é justo dizer que a “ palavra” é uma farsa ilusória criada por nossos impulsos, de acordo com nosso preconceitos e valores ?

A palavra tem condições de dar conta da mobilidade natural do devir e dos valores humanos ?

Que tal reconhecer que toda palavra não é NADA, senão um conceito.

Toda palavra sofre um “valor” atribuído individualmente por nós.

Conceituar ( julgar em palavras) é simplificar, reduzir, escolher , rejeitar. Nomear é atribuir valor.

Nomear é impor identidade ao múltiplo, ao móvel, é forjar uma realidade que a pluralidade das coisas / pessoas não apresenta. Faz sentido isso ?

É. O significado depende da experiência de cada um.

Qual seria o contrário disso ? Dessa encrenca de endeusamento dos nossos próprios conceitos ?
Da nossa “ palavra” que fecha os outros em conceitos ?

O que a palavra, em forma de conceitos nos faz esquecer ?

Existe um esquecimento básico nessa história. O que é que esquecemos no decorrer dessa ilusão de TER a verdade ?

Talvez , seja o esquecimento que a nossa palavra (enquanto linguagem) deve ser HUMILDE , pela própria natureza.

Palavras arrogantes que se impõem como certezas pessoais são desnaturadas ( equívoco sobre a natureza dela própria). 
São palavras ( as arrogantes) ditas por quem esqueceu das limitações do próprio instrumento da comunicação.

Então, trata-se de dar o peso correto ao “instituto” da “palavra”.

Se a gente esquecer disso, a gente vai errar muito feio em nossa interação com o nosso entorno, com as pessoas que nos cercam.

A gente só não passa mais vergonha quando esquece disso porque todo mundo acaba esquecendo disso. 😬
Por isso que somos tão apegados aos nossos ditos dizeres. Porque, naturalmente, nós somos esquecidos do real valor das nossas verdades.


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