José Maria Bonfim de Moraes

Tituldar da Cadeira nº 21

 

A MORTE DOS JANGADEIROS

A morte dos jangadeiros

O vento empurrou a noite em direção do mar

As escadas do céu ficaram vazias

E as caneletas abertas despejaram silêncios

Nos degraus do infinito

O mar oco zune e aflito grito de dor

O lago afaga a morte

A sepultura se desenha no coração do mar

E os jangadeiros não encontram o mar

Mas se sentaram placidamente nas escadas dos céus

Esperavam o último sopro de Deus.

Fortaleza, verão de 2012

João Rodrigues Ferreira

Acadêmico correspondente - Reriutaba - Ce.

 

O Tempo

 

Da vida só sei

O dia que nasci

Não sei quanto tempo

Deus deu para mim

Talvez o meu tempo

Se arraste no tempo

Ou pode ser como

Fogo no capim

Portanto meu tempo eu aproveito bem

Pois nunca se sabe o tempo do fim.

Quando falta tempo

Pra minha família

Porque ocupei

Com o meu patrão

Ou gastei meu tempo

Com coisas da vida

E fiquei sem tempo

Pra minha oração

Eu deixo o relógio do tempo correr

E travo o relógio do meu coração.

Assim sobra tempo

Pras coisas que amo

E pra quem dedica

Seu tempo comigo

Esqueço do tempo

Que corre lá fora

E passo mais tempo

No meu doce abrigo

E quanto mais tempo eu gasto com os meus

Bem mais qualidade de vida consigo.

Eu sei que o tempo

Do mundo é assim

Tá sempre correndo

E não pode parar

Mas arranje tempo

Pra olhar pro tempo

Ver a chuva cair

Ver o sol brilhar

Não perca seu tempo correndo na vida

E deixando a vida somente passar.

Aproveite a vida

Abrace seus pais

Ligue pro amigo

Que ontem ligou

Brinque com seu filho

Ame sua esposa

Tire aquelas férias

Que sempre sonhou

Aproveite o tempo, pois se perder tempo

Quando olhar pro tempo, o tempo passou.