Manuel Evander Uchôa lopes

Titular da Cadeira nº 1

 

UM EREMITA URBANO

Em minha juventude na florescente e bela cidade de Ipu, conheci um cidadão, que diziam ser louco; Eu não pensava assim, considerava-o, apenas, um homem de uma mente um pouco perturbada.

Ele era uma figura típica; estatura mediana, maltrapilho e magro, talvez pela má alimentação de que se servia.

Andava pelas ruas e bairros da cidade aparentemente sem rumo, tendo por companhia uma cadelinha magra como ele próprio; Quem sabe, talvez, a procura de seu Cosme, pois todo Damião tem seu Cosme, um irmão.

A meninada, na sua maldade inclemente de criança, atirava-lhe pedras e gritava Pesão, o que o deixava excitado e, assim, ele corria atrás da molecada, mas sem lhe fazer mal.

Era um homem de certa forma espirituoso (filosófico) em algumas de suas respostas a indagações que lhe fazíamos.  Conhecia-nos a todos pelos sobrenomes; Quando nos encontrava conversando ou bebericando em algum lugar da cidade, saia a gritar e espalhar pelas ruas Tavares, Lopes, Carneiro, Aragão e outros...

Damião, em sua inocência de “louco”, nos ensinou algumas lições de humildade, resignação e compreensão com suas respostas “filosóficas”, que certamente muitos de nós, até hoje, lembram.

O tempo passou; Um dia, estando de férias em Ipu, senti falta de alguma coisa; Veio-me à mente a imagem de Damião; Perguntei por ele e me disseram que falecera e estava enterrado no cemitério da cidade, próximo à entrada, ao lado da Capela. Disseram também, que seu túmulo era um dos mais visitados no dia de finados e, que até fazia milagres. Não sei...  Damião, com certeza, não é um Santo cultuado por nossa Santa Igreja Católica; mas, certamente, foi um santo homem, que perambulava pelas ruas de Ipu aparentemente sem rumo, talvez a procura de seu Cosme...; ...” UM EREMITA URBANO ”.

Aninha Martins

Professora e poetisa ipuense

 

Seguiremos sempre unidos!

E, de repente... Tão de repente! Formou-se uma tempestade gigante e uma pesada nuvem escura pairou sobre o mundo. Nos recolhemos, procurando nos abrigar e abrigar os nossos. Procurando nos defender...

E assim, passamos por dias totalmente escuros, nos sentindo desolados e perdidos... Mas a vida continuava e precisávamos seguir, seguir ao lado dos outros. Mas como?

Foi aí, que todos, em seus lares, começamos a buscar uma maneira, eficaz e segura. Todos tentando, errando, acertando, divergindo e buscando apoio... E como dar as mãos? Se não podemos nos tocar? Até que desenvolvemos uma maneira infalível de nos tocarmos e nos unirmos pelo coração. Uma forma de dar assistência aqueles que precisam e/ou dependem de nós...

Foi mais ou menos assim... Vestimos nossa capa de coragem, empunhamos nosso escudo de entusiasmo e seguimos em frente, dando as mãos aos que encontrávamos pelo caminho, cheio de obstáculos e muitos desafios, mas sempre confiantes.

Lutamos contra um inimigo poderoso que não conseguimos enxergar, mas firmes e fortes porque somos muitos e a união nos faz maiores.

Então, usei essas metáforas para amenizar o árduo trabalho que estamos desenvolvendo a cada dia, em meio a tantas incertezas, medo e vontade de acertar. Somos, realmente, heróis e heroínas, uma vez que temos que trabalhar dobrado, sem hora certa pra começar ou terminar, nos reinventamos a cada instante e, somos desafiados a lidar com o novo. Precisamos de apoio e compreensão em cada vez que cometermos algumas falhas. Queremos entendimento para conseguirmos fazer o nosso melhor e atender aos nossos alunos e ter a parceria dos pais que, nesse momento são também, mediadores de conhecimentos. Precisamos de espaço e sermos acolhidos para diminuir nossa carga que, embora a carreguemos com satisfação e amor, às vezes, pesa. Mas, ao mesmo tempo, se torna leve, pois dividimos um pouco com cada um que nos dá apoio, que se une a nós.

Seguiremos sempre, UNIDOS!