Poesias

Poesia de Itanira Soares

 

Não sei se o meu lamento é de fome,

Não sei se o meu lamento é de sede,

Não sei se é de falta de colo,

Não sei se é falta de ar,

Mas sei que é falta de lei.

Deixem-me correr,

Deixem-me passar,

Não me deixem assim morrer.

 

Mãos humanas

Desumanas mãos!

Não prendam minha liberdade

Abracem-me com longos braços

Oxigenem o meu respirar

Minhas artérias estão entupidas

Minha caixa torácica enfraquecida

Meu leito agredido,

Estou sem rumo, estagnado,

Na cama de areia afogado.

 

Meu murmúrio dolente

Em profunda depressão

Há de quebrar as barreiras

Decodificar os cadeados

Romper as correntes

Limpar toda a sujeira latente

Abrir as comportas em expansão.

 

Quero barulho de queda d’água

Quero colo,

Tenho sede,

Tenho fome,

Preciso de ar,

Deixem-me correr

Deixem-me passar

Não me deixem assim morrer.

 

E quando tudo se fizer real

E a minha dor calar

E as águas correrem,

Lá das alturas a nossa cascata

Cheia de encantamento

Vai cantar, voar,

De branco véu de noiva sorrir, bailar,

E o IPU em cada canto do olhar

Se perder de tanto encanto

E de prazer se encontrar.

 

 

 

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