Poesias

Natália Maria Viana Soares Lopes

 

Hoje te vejo triste

e desprezada,

nesta solidão amarga,

entristecida ...

Eras tão bela

em tua singeleza,

vetusta e branca,

de graça enriquecida.

A Igrejinha de nossa infância

de fé,

cultos,

ritos

e lembranças.

A estrutura secular

conserva ainda

as tribunas,

de azul pintadas.

os altares de arrebescos decorados,

alguns santos

de nossa devoção,

as paredes soberbas

desafiando o tempo

e o descaso,

o sino que não toca

emocicnando

o velho coração

Tantas vezes subi essas escadas,

hoje corroídas e medrosas,

ouvindo o harmônio

o coro

a missa

do nosso arnéldo Monsenhor

ao lado da sacristia,

lembro- me bem

da imagem grandiosa

que inspirava medo.

tristeza e comoção,

por roxas cortinas encoberto

o Bom Jesus dos Passos ...

A mesa da  Comunhão,

de madeira entallhada,

bipartindo a nave

já não se vé no local...

no altar-mor

a luz votiva,

as velas

onde estão?

odor forte de insetos

substitui o perfume das flores.

Só o silêncio invade a escuridão.

Ipu, 15/09/2007

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