Poesias

Maria Silonildes de Mesquita

Titular da Cadeira nº 38

 

 Bica Do Ipu !

Séculos após séculos todos te admiram!

O Ipu nasceu ao teu sopé

Portanto és venerada

Todos veem em ti um colo de mãe

És musa

És poesia

És canto e encanto!

És gelo que queima sem doer

Véu de prata da minha juventude dourada

Cheia de amor e luz és tu minha bica adorada!

Tuas águas são lenitivas como coração de mãe

Curam todos os machucados

Olho para ti minha linda cascata  

Vejo um braço dos Tabajaras, a tribo de Araquém

Materializo Iracema com arco e flecha  à mão

E caído à sua frente o Matim

Olho com mais intensidade e percebo

O medo transformando-se em amor

O amor em sofrimento

Iracema e o Guerreiro Branco

Trocando juras de amor

Juntos cantam e dançam

Tomam banho em tua piscina de mel

Tempos idos,

Tempos de matas verdes e densas

Onde a bicharada era a própria orquestra sinfônica do lugar

Reverenciando o amor do casal

Bica do Ipu, minha cascata Nua !

Nua de vaidades,orgulho e preconceito

Em teu regaço abrigas todos

Independente de cor, credo e raça

Lugar sagrado!

Sob tuas bençãos, discrição e silêncio

Juras de amor foram trocadas

Crianças nascidas foram batizadas

Tendo como primeiro banho tuas águas

Ah, Bica Do Ipu!

Foste palco para tantas lutas

Travadas e sangrentas

Enorme despautério

Ainda hoje és guardiã de muitos segredos

Continuas musa silenciosa

De canções lindas e volumosas

que se fazem ouvir por todos

Que te rodeiam !

 

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