Poesias

Natália Maria Viana Soares Lopes

Titular da Cadeira nº 14

 

CAJUEIRO

Era tão pouco o espaço...

ao lado da janela

do muro num cantinho,

plantei um dia

com carinho

um cajueiro pequenino.

Água, luz, calor

e amor,

ele crescia

e se espalhava

em sombra pelo chão,

a olhar as claras noites

naquele céu enorme.

Deu frutos sazonados e ligeiros...

frutos que pendiam

em graciosos cachos.

Meu lindo cajueiro!

deixei-o lá.

Hoje voltei

e chorei.

O tronco e os galhos

mutilados,

secos,

queimados;

Em seu lugar

paredes de cimento armado.

                                              

(Em visita à Escola Auton Aragão, 1988)

Mais artigos do Autor.