Poesias

 

Maria de Lourdes Mozart Martins Moura

 

Janeiros, quantos janeiros,

Esperados, sonhados, vividos
Tudo era festivo.
Quando janeiro chegava
A cidade se alegrava
Roda gigante, alvorada,
Quermesses, leilões
Peru cevado, almoço farto
Na festa do padroeiro.

Partido azul e encarnado
Animava a mocidade
Continuo encarnada
Nas veias e na alma.

O Jardim de Iracema
Com gradil e jardim florido
Palco de tantos amores
Iniciados e desfeitos
No coreto a banda da cidade
Tocava dobrados, espargia sons
Tudo em perfeita harmonia
Na amplificadora as mensagens
Para os casais apaixonados.

A cidade era menor, mais bucólica
Cresceu, mudou, casarões demolidos
Grêmio, Artistas, foi tudo na enxurrada
Motos, carros, sinal de trânsito,
Queira ou não queira
A roda do mundo não para
A gente lembra, a gente chora
Com saudade dos janeiros
Encravados na memória.

Gente que se foi, gente que chegou
O trem já não apita
A natureza se zangou
Negando água pra bica
O Ipuçaba agoniza
Afinal... tudo se transforma
Mas como não sentir falta
De um tempo bom e distante
Que virou poesia, que virou saudade.

Lourdes Mozart Martins
25.12.2014

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