Poesias

Antonio Carlos de Martins Melo

 


Cruzeiro Velho, testemunho amigo,
Falei contigo quantas vezes dela!
Mas te guardaste deste meu segredo
Talvez com medo de comprometê-la.

Agora chega de calar-te, e fala
Que foi de amá-la que estraguei a vida.
Cruzeiro velho, quantas noites vinha
Contar-te a minha solidão sofrida.

Mornos domingos de fagueiros papos,
De cujos trapos vou-me consumindo!
Cruzeiro velho, é melhor calar-te:
Calar faz parte desse tempo lindo.

Guarda os tesouros de tudo que viste,
De alegre e triste que esta vida é assim.
Não contes nada, meu cruzeiro velho,
Borra o espelho do que vês em mim.

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