Poesias

Francisca Ferreira do Nascimento

Titular da Cadeira Nº 09 - Patrono: Moacir Alves Timbó

Certa noite Ipuzinho estava bastante exausto,

e pediu a sua avó para lhe contar uma história,

a velhinha bem disposta deitou                                                       

o netinho no colo e começou a grande prosa.

O menino mesmo cansado,

ouvia  atento a história,

das  raízes de sua avó,

uma  velhinha corajosa.

Ipuzinho   morava longe,

desconhecia  a sua origem,

a  correria da cidade grande,

e o cansaço do dia,

nunca  deixaram o menino,

buscar  suas raízes.

Esta noite  porém,

era muito especial,

 foi  o menino que pediu,

para  fazer uma viagem,

até a terra natal,

buscar  o que havia,

de  peculiar no lugar,

onde  a avó nasceu,

e  nunca mais iria voltar,

pois uma árvore já muito velha do lugar não se pode retirar.

A  velhinha chorava,

pois a saudade era imensa,

amava  aquela terra,

e  dela era semente,

tinha compaixão do neto,

pois  ele jamais iria conhecer

aquele  lugar.

 e as  brincadeiras que um dia ela

teve  a oportunidade de participar.

Tomou  banho de riacho e que riacho especial,

onde  a água era pura, tal o povo do lugar.

E foi nesta noite,

que o destino  resolveu o menino ajudar.

A vovozinha começou exaltando a grande terra,

onde  os guerreiros nunca se cansavam,

 e  o respeito era eterno.

Era uma grande nação,

onde  todos viviam bem,

até  que um dia o egoísmo  chegou,

e   destruiu o bem.

A grande nação daí  partiu,

sem  rumo e sem estrada,

fugiram  pelas matas e sem destino exato.

A terra foi habitada, por povos diferentes,

com costumes e hábitos, bastante peculiares,

dos  nativos que moravam outrora no lugar.

 começaram  a  povoar e construir suas moradas,

esqueceram  a grande  nação e os costumes que deixaram.

Ficou somente na História que por outros foi contada,

até  a lenda que existiu fugiu

para outra cidade,

indo  viver na capital, do grande Estado,

onde  é bem exaltada e por outros apreciada.

- Minha  avó estou exausto - disse Ipuzinho,

 mas me conte esta história,

quero  também apreciar e valorizar,

nunca  irei esquecer e pretendo promover

o rumo desta  prosa.

Pois escute  Ipuzinho  esta enorme nação,

ficava  localizada ao sopé do imenso paredão que protege a  Ibiapaba,

onde  de longe se observa um grande tinteiro,

e também um grande peixe, quem sabe já é a baleia?

- Continue minha vozinha que bela história que há,

neste  seu chãozinho que você diz ser seu lugar.

A vozinha com a voz trêmula continuou a prosa,

e o neto no colo satisfeito perdeu  hora.

- Foi no sopé do paredão que construi  minha história,

casei  com um ilustre homem e deixei,

casa paterna , habitando em outras terras ,

 mas  nunca esquecerei  as raízes de minha história.

Todas as noites ao deitar,

 lembro  bem de como era,

tudo começou no quadro, na rua da goela,

o povo trajava bem,

as  moças muito prendadas,

os  rapazes cavalheiros,

muitos  vinham de fora,

habitar  a terra nova e plantar suas memórias

nas  noites enluaradas.

As  senhoras tão belas, a noite nas calçadas

Os  homens contando causos,

distraindo  a moçada.

tudo parecia em harmonia

só de vez em quando  uma querela.

O tempo foi passando novos habitantes chegando,

e a cidade modificando,

o casario que outrora ,

 era bem conservado,

soube  que já não é tão bem,

assim  preservado,

pois em seus lugares  outras coisas se instalaram,

que  saudades  Ipuzinho, do  meu lugar de menina.....

fui  criada tal princesa num palácio com rainha.

Pois num é que Ipuzinho de tão exausto adormeceu,

mas a avó de tanta saudade  do lugar nunca esqueceu,

e mesmo o menino dormindo,

a história procedeu.

-  Tenho uma saudade  tão grande das  Festas do Padroeiro,

da  multidão de gente, da festa de janeiro,

 do  cheiro da pipoca,

do  cheiro daquela gente,

com suas roupas novas e alpercatas apertadas.

Todo mundo alvoroçado,      

para rodar no carrossel, logo após a novena....

Eu tudo observava,  era tantos rostos estranhos,

e gente de todo tamanho, que fazia aquela história.

Gente da serra grande,                         

gente do sertão,

passeavam com entusiasmo,

com  enorme satisfação, pois tudo era novidade,

 e nada era invenção.

A fé daquela gente,  era a minha admiração,

vinham  tão de longe adorar São Sebastião,

e  pagar suas promessas com uma valiosa devoção.

Oh tempo de tanta graça! Oh tempo de grande amor!,

Oh saudade danada de tudo que já passou!

Ipuzinho despertou,           

a lágrima da avó tocou-lhe o rosto,

 e o menino acordou:

-  Vozinha o que é isto? É saudade de um grande amor?

Vozinha não respondeu e a prosa continuou,

queria que  Ipuzinho a história desse valor,

a idade avançada era o seu maior temor.

-  Minha querida vozinha,

 por  favor me conte logo,

antes  que o dia amanheça e eu esqueça a hora.

Daqui é muito distante para chegarmos lá,

mas com a ajuda da web tudo posso realizar,

outro dia tive vendo as mudanças do lugar.

- E que mudanças foram estas, feitas neste lugar?

- Como vive agora o povo que outrora moravam lá?

 a geração de agora o que fazem por lá?

Tenha calma Ipuzinho devagar eu chego lá,

veja como anda minha saúde,

aos poucos vou lhe contar.

A cidade parece muito bem,

os costumes dos nativos  agora estão em evidência,

o artesanato de barro, beberagens e benzamentos.

A Cultura Erudita se encontra muito bem.

tem tantos escritores, cada um com estilo,

tem  poesia, tem prosa, tem crônica, tem  narrativa.

Oh coisa maravilhosa Ipuzinho!

a  Cultura Erudita de outrora de volta,

e a Cultura Popular promovendo sua história.

-  Vozinha e o que há de mais neste lugar?

Tem belas praças e avenidas,

amigos  que deixei por lá,

tem  escolas, muitas crianças,

se  preparando para melhorar,

artistas  plásticos de renome,

cada  arte a apreciar.

Meu neto Ipuzinho,

lá tem grandes compositores,

uma  Banda de Música,

coisa  bela de olhar,

cada músico arrumadinho e a banda a tocar,

que saudade de voltar,

pra rever o meu lugar.

tem incontáveis artesãos,

 representando  a cultura popular.

Tantas coisas meu neto, existe no meu lugar.

Ipuzinho e a avó adormeceram,

Pois a madrugada chegou.

Os dois tiveram um lindo sonho.

Sonharam que chegavam em uma estação,

várias  pessoas tagarelando,

outros  descendo do trem apressados,

não sabiam onde estavam pois era de madrugada.

Ipuzinho perguntou para um guarda que passava:

- Que lugar é este?

O guarda sorriu e respondeu muito educado:

- Aqui é Ipu, uma cidade bem visitada,

 tem um ponto turístico,

tem  praças, tem filhos ilustres, que brilham em outros estados,

tem  grandes escritores,  e ainda artistas plásticos,

tem  arquitetura que representa uma parte,

do  que sobrou da antiga cidade,

tem  uma secular Igrejinha onde eu sempre vou rezar.

tem  grupo de teatro, casa de artesanato,

a  juventude participa de grandes competições,

é  no esporte, é nas artes.

Eita animação!

Tem festas juninas, e muita mais.....

O aniversário da cidade,

 não  poderão perder,

a cidade é bonita, vocês irão gostar.

A vozinha perguntou com muita delicadeza:

- Seu guarda me responda qual é a idade desta beleza?

O guarda respondeu:

-  Com certeza pra lá de cem.

A velhinha despertou:

- Cem, que cem! Minha terra natal 166  irá completar,

 isso eu posso confirmar,

 estou dormindo mais no sonho tudo posso realizar,

 o retorno a terrinha e meu neto vou levar.

Ipuzinho ficou maravilhado diante do que viu,

não encontrou o riacho para o banho tomar,

mas  presenciou muitas crianças tentando cuidar,

do  bem que um dia a avó pode apreciar.

Ipuzinho  acordou com um beijo dos pais,

contou- lhes o sonho da noite anterior,

os  pais sorriram e abraçaram a avó,

que  dormia quietinha e o neto ao redor.

 

 

 

 

 

 

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