Poesias

Francisca Ferreira do Nascimento

Titular da Cadeira Nº 9 - Patrono: Moacir Alves Timbó

Do sertão para o sopé da serra,

a família de Rosa migrou,

em tempos de seca,

para refrescar o calor.

A família chegou, sombra encontrou,

e  logo se instalou.

 

Ainda menina, órfã  Rosa ficou,

tão  frágil e magrinha

a  menina se criou.

Cresceu e aprendeu um ofício importante,

benzia as crianças de todo e qualquer quebranto,

com seu  longo rosário de contas.

 

Benzia também jovens e velhos do povoado.

Rosa tinha sabedoria,

pois assim que benzia as dores sumiam,

o quebranto ia embora e as crianças sadias.

Que sábia missão a de benzedeira,

ou  rezadeira dos  longíguos  sertões.

 

Além de benzer, Rosa era parteira,

e  ajudou a nascer incontáveis meninos e meninas:

José, Raimundo e Maria,

Francisco, Antônio, Conceição e Luzia,

Tereza, Pedro, Fátima e Sofia,

Graça, Lourdes, Socorro e Sebastião, e os gêmeos  José Maria e Maria José,

Da comadre Luiza.

 

                                                          

Quando a chamavam Rosa corria,

com  passos ligeiros, sempre atendia,

o  pedido das comadres  e o dever

que cumpria, de trazer ao mundo pessoas queridas.

E assim a cada dia os povoados cresciam,

Santa Úrsula, Bom Jesus, Volta e Alegria.

 

Cada ano se passava,

Rosa continuava,

seu ofício de benzedeira e parteira,

as  comadres e compadres,

se  multiplicava,

e  em todo o lugarejo Rosa era admirada.

 

A criança que nascia pelas mãos de Rosa,

desde  cedo  sabia que lhe devia  gratidão,

e com  dedicação,  quando a encontrava:

___Sua benção Mãe Rosa”.

A velhinha abençoava, beijando-lhe a mão e com muito fervor

retribuía a gratidão,

desejando - lhes saúde, fortuna e boa sorte.

 

As comadres sempre gratas,

cuidavam  de Mãe Rosa.

Vez ou outra a visitavam

e  levavam um agrado,

como  forma de agradecer, o que Mãe Rosa realizava,

ao  trazer para o mundo um filho abençoado.

                   

Mãe Rosa foi dedicada,

com  a missão que recebeu,

fazia  sempre o bem,

e o trabalho continuava.

Já bem velhinha nas pessoas rezava,

Livrando - os das dores e dos males que lhe causava.

 

Em todo lugarejo e também,

na cidade, as mães aflitas,

Logo procuravam,

a reza de Mãe Rosa e com fé

acreditavam que com a reza de Mãe Rosa seu filho seria curado,

do quebranto e mal olhando que alguém tinha colocado.

 

 

 

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