Discursos

Abílio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

Discurso de encerramento da gestão à frente da Academia Ipuense de Letras

(Sede da Academia Ipuense de Letras)

17 e janeiro de 2014

 

            Ilustríssimos senhores convidados, senhoras e senhores acadêmicos.

Dirijo-lhes estas palavras em nome e com a permissão de todos os colegas que compõem a nossa diretoria, na mais absoluta consciência e exaurimento do dever cumprido.

            Os feitos foram discretos. Entretanto, as realizações foram resultantes de um esforço extraído do empenho e abnegação de todos que compõem esta diretoria. É mais producente, creio, nomear, neste momento, o que não foi possível ser realizado, para que possibilite ao futuro presidente exercer uma gestão mais profícua, porque os feitos, certos ou errados, edificam o presente e propiciam um futuro melhor.

            Lamentamos não ter concretizado, por duas tentativas, a criação da academia estudantil, objetivando retirar estudantes da ociosidade das esquinas e dos bares e trazê-los para esta casa de cultura, propiciando, assim, a troca da bebida e drogas pelas letras e pelos livros. Pois, estes são, sem dúvida, os nossos fiéis e sinceros amigos. Amigos de todas as horas, que se comunicam no silêncio, oferecendo, a cada página, o prazer do conhecimento e da cultura.

            Lamentamos a impossibilidade de implantar, na nossa sede, uma gestão razoável de trabalho que atenda as atividades burocráticas e administrativas desta entidade. Entretanto, justifica-se, este fato, em razão da inexistência de recursos financeiros e de uma parceria mais eficaz. Mas não importa, “os homens ativos se engrandecem pelos passos que dão. Seu destino é ir. Não importa as adversidades. Se não atingir, não interessa, pois o que interessa, na verdade, é estar em marcha, não desistir”.

            Lamentamos não ter sido possível a realização de uma parceria com a Prefeitura Municipal e o Estado, visando a restauração da nossa “Casa Oswaldo Araújo”. Os trâmites burocráticos, infelizmente tão presentes no serviço público, os impediram.

            Por fim, lamentamos não conseguir fazer desta casa, uma casa cultural na acepção da palavra, onde acadêmicos e o povo ipuense em geral pudessem aqui estar cantando, ouvindo ou falando de músicas, poesias, de compositores, escritores, enfim, de artes. E o mais importante: influir e incentivar aos mais jovens o prazer crescente pela cultura.

Mas isso não ocorreu. A maioria dos nossos acadêmicos, principalmente os residentes nesta cidade, continua, infelizmente, distante desta casa. Algo tem que ser feito para motivá-los e trazê-los com as suas   ideias e alegria.

            Tive o privilégio, senhoras e senhores de ter sido Coordenador Regional Administrativo do Departamento de Polícia Federal, neste Estado, nos últimos seis anos que lá estive. Aprendi, naquele Órgão, que a única preocupação de um administrador é, rigorosamente, cumprir com dignidade o cargo que lhe é confiado.

            Entretanto, a austeridade imperiosa da função nem sempre agrada a todos. Daí a compreensão e entender a rebeldia de alguns colegas, e muitos deles tão próximos. Mas, embora difícil, temos de exercitar no exercício da função a arte da paciência, da compreensão, e saber extrair de cada um, as suas virtudes, absolvendo os seus defeitos, porque entendemos que a perfeição está distante do ser humano.  “Até na pureza das flores se encontra a diferenciação, pois enquanto umas enfeitam a vida, outras enfeitam a morte”.

            Despeço-me do honroso cargo de presidente desta entidade, agradecendo, primeiramente, a todos da diretoria que souberam acolher o nosso projeto de trabalho, acrescentando, sobretudo, o meu digno respeito, aos mesmos, pela resignação em doarem, por esta causa, um pouco do valioso tempo.

Aos leais queridos confrades e confreiras o nosso agradecimento pela confiança depositada a esta gestão. E, ao futuro presidente e diretoria, o nosso desejo sincero de uma gestão profícua, plena do mais completo êxito.

Por fim, uma confidência, mas que é notória entre os meus colegas e amigos mais próximos. Retiro-me desta cadeira de destaque e vou me abancar nas cadeiras dos comuns, onde me sinto verdadeiramente mais à vontade, passando a contribuir, a partir desta data, com a minha presença e com as minhas ideias.

Muito obrigado.

Abílio, 17 jan 2014

 

 

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