Crônicas

Olívio Martins de Souza Torres

 

Hoje é o dia das ENDOENÇAS que são as solenidades religiosas da quinta-feira  santa. Temos, a seguir, a sexta-feira das trevas, a vigília do sábado e o domingo da Ressurreição de Cristo, a maior festa da cristandade, porque, segundo Paulo, o apóstolo dos gentios, se Cristo não tivesse ressuscitado vã seria a nossa fé.

O Natal, data em que também tive a sorte de vir ao mundo, é  uma grande festa para os cristãos. Tem muito encanto, romantismo, beleza e poesia. Jesus veio ao mundo nas condições mais humildes possíveis para nos dar o exemplo de que devemos ser humildes em nossas vidas. Aliás, não temos razão alguma para nos orgulhar de nada, pois nascemos, segundo expressão de Santo Agostinho, "inter feces et urinam" (entre as fezes  e a urina).

Mas, consoante já relatei neste espaço, a quinta-feira santa traz-me memórias da infância nem tanto agradáveis. 

É que, em rigoroso inverno da década de 1940, o Rio Jatobá, na Fazenda Tubiba, de meus avós, que lá moravam, amanheceu roncando, isto é, com uma grande cheia.

Meu avô e eu, com alguns moradores, fomos ver aquele rio a nado de beira a beira, impetuoso, rápido, devastador.

No chamado Poço da Água Fria, apropriado para banho, lancei-me às águas. Embora sabendo nadar, a correnteza, que era  muito forte, foi me arrastando rio abaixo. Então, meu avô, que era bom nadador, veio em meu socorro e conseguiu levar-me para uma das margens algumas dezenas de metros à frente.

Foi um susto terrível. Depois do banho voltamos para casa. Minha avó, tendo tido conhecimento do fato, deu uma bronca em meu avô dizendo-lhe que, no dia das Endoenças,  não se podia tomar banho. Como gato escaldado um dia tem medo de água fria, ainda hoje não tomo banho na quinta-feira santa, nem de chuveiro.

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