Crônicas

Abílio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

 

Coronavírus – O revolucionário

Pois é, como pode um minúsculo vírus, aparentemente insignificante para os olhares incrédulos, revolucionar o planeta ao ponto de deixar todos enclausurados, olhando pela janela o tempo passar! Até quando não sei; não sabemos.

Mostra que veio para revolucionar a política, economia, nossos costumes, inclusive as nossas atividades.

Tenho a absoluta certeza que muitos de nós, machões, aprendemos nessa fase crepuscular da vida, a limpar a casa, lavar roupa, por a mesa, até cozinhar! É a imperiosa necessidade, haja vista a ausência temporária da secretária.

            Entretanto, esse minúsculo, sei lá o quê, está impondo a nós, terráqueos, a cultura saudável da limpeza e do asseio individual.

            Alguns, com o receio da peste, exageram ao ponto de escassear os produtos de limpeza nos supermercados. A minha mulher, confesso, faz parte dessa elite.

            Vejam: colocou o pé fora do apartamento, ao retornar obrigatoriamente troca-se a roupa, lava-se os chinelos e vai direto ao banheiro tomar banho. É exagero, reconheço, mas não vamos discutir!

O álcool é o seu companheiro inseparável. É álcool no piso, nas cadeiras, estofados, maçanetas, pratos, talheres, nas laranjas, bananas, abacaxi, nos limões, até nos ovos. (De galinha)

É muito álcool.

Estava eu tomando banho quando ela entra e indaga:

Passou álcool?

Não é possível!!!

Mas o meu forte, na verdade, está sendo o desempenho na cozinha. Melhor dizendo: no arroz.

Certo dia, dirigindo-se a minha mulher afirmei: Hoje, deixe o arroz comigo. Ela, surpresa e feliz pediu-me para acompanhar o cozimento do feijão e o assado da carne que se encontravam no fogão e no air fryer, respectivamente, enquanto desempenhava outras atividades.

Ok, respondi.

Fui ao Dr. Youtube e cliquei: “Como fazer arroz”.

Depois da aula fui à cozinha e preparei o ambiente conforme recomendado: separei a cebola, alho, salsa, colorau, sal e lógico, o arroz, já lavadinho à espera do fogão.

Ansiedade! Entretanto, não podia esquecer um outro importante ingrediente. Abri o congelador, saquei uma Ypioca 150, congeladíssima, parecendo um licor, enchi aquele copinho conhecido, deixando-o junto aos ingredientes citados.

Dei a partida: Tomei um gole do “remédio”, liguei o fogão, pus a panela, coloquei os ingredientes e haja mexer para depois colocar o protagonista, o arroz. Acrescentei uma pintadinha de colorau, outra de sal e fiquei apreensivo com o olho no arroz, outro no copinho.

Aqui, acolá, levantava a tampa da panela e via, orgulhoso, o arroz tomar a sua forma. Absorto, continuava com um olho no arroz, outro no copinho.

Depois de alguns minutos chega à mulher vaidosa do marido cozinheiro.

__ Como está o almoço?

Dez, respondi-lhe.

Mas ao olhar as outras panelas veio a grande decepção: feijão queimado e a carne tostada; mas o arroz, repito, ficou dez.

A verdade é que as minhas atividades são tantas nesses dias de pandemia e o tempo passa tão rápido que ontem, desorientado, perguntei a mulher:  Que dia é hoje?

Sexta, respondeu.

“Vixe”, pularam a quinta!

Abílio, 2 mai 2020

 

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