Crônicas

José Solon Sales e Silva

Titular da Cadeira nº34

 

BELEZA SE PÕE À MESA?

            Eu ponho. Beleza é conceito meramente individual, particular. Certamente você já ouviu a frase: “gente é como chita”. Sou gente e sei apreciar o belo. O belo é deleitoso, coisa bonita, que satisfaz cabalmente nosso prazer em olhar, ouvir, sentir. Queria tanto entender o que é “beleza não se põe a mesa”. Já diziam os antigos.

            Mas eu ponho. Sou destemido. Tantas belezas, variadas coisas bonitas. Sempre fui atrevido e sempre pus a beleza a mesa porque o belo é para ser visto, apreciado sem nenhuma soberba, olhado, vivido, valorizado na sua simplicidade. O belo é o belo. E como existem coisas belas neste mundo de meu Deus.

            Penso veementemente que beleza é pra se pôr à mesa. Da casa, da rua, do mundo. Afinal é o belo. São tantas as belezas. Vejo beleza no feio, no disforme, no desconforme, no outro, no ser, no estar. Somos todos belos. Nanico, alto, esbelto, graúdo. São tantas as belezas. Ela existe em toda a humanidade.

            Quem sabe o dito popular “beleza não se põe a mesa” não seja o medo de perder o belo, ao alegria, a tenacidade do ser. Ponho a mesa sim. Você é belo, lindo, maravilhoso e isso não se tira de ninguém ou de nada.

            Beleza põem-se a mesa sim. Compartilhar, ser, existir. Que bom que você é belo. Só por fora? E por dentro? Como é tu? Singular. O homem inventou o belo ou o belo chegou para o homem. O homem forma a sociedade que eu, tu, nós. Somos belos!

Coco, 20/11/2019

 

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