Crônicas

José Solon Sales e Silva

Titular da Cadeira nº 34

 

ANTONTE

            Batizou-se como Francisco, seguramente. Nasceu em Guaraciaba e desceu a serra, salvo engano. Labutou e muito, no comércio. Coisa difícil é vender mais tinha tino e habilidades.

            Casou-se com uma ipuense de boa cepa, digna, laboriosa. Gerou filhos e netos e filhos centrados e artistas. Uma de suas filhas foi minha professora e olhem que nem é tão mais velha que eu. Aprendeu artes e ensinava educação artística. Excelente professora. No curso de letras da Universidade Estadual do Ceará, ainda muito jovem aprendi com um professor de latim que pela filha se conhece a mãe.

            Assim conheci seu Fransquim pela filha e depois pelos filhos. “Seu” que os pais passam valores aos filhos. Primeiro Magaça, minha professora de artes no Ginásio Ipuense. Penso que ela aprendeu com D. Valderez Soares, como chamávamos a professora e fazedora de sucessores.

            Mas não sabem vocês que o seu Fransquim tinha uma relação forte com meus pais, eram compadres. Sr. Fransquim e D. Terezinha convidaram meus pais para apadrinhar uma de suas filhas, Fátima. Sinto-me meio padrinho do Fábio, seu filho mais velho, que quando criança era chamado de Fabinho. Coisas que a energia explica. Nos últimos dez, oito anos ao levar minhas levas de alunos a Ipu, articulava com o Fábio para o seu Fransquim abrir a loja dos licores. E ele sempre estava lá, alegre, serelepe, atencioso, simpático, vendendo os mais diversos licores, inclusive o do amor. Mas o melhor de todos é mesmo o de tangerina... Família singular, gosto pelo fabrico do licor, amor a música, a pintura a arte...

            Outra filha do seu Fransquim é Lucila. Pinta divinamente bem, artista de alçada. Há ainda o Rogério que é compositor e músico de lídimo direito.

            Tomara Deus dar-me a graça do seu Fransquim, compadre de meu pai, homens lídimos e ilibados. Noventa e quatro anos. Que dádiva. E dádiva maior a de ter contribuído para a história de Ipu. Dádiva em ter deixado filhos igualmente lídimos, íntegros, pensadores, artistas.

            Quisera eu ter esta felicidade, quisera eu saber fazer licores. Só sei toma-los e como são bons!!! Que Deus permita que o seu Fransquim continue a fazer licores deliciosos e eu? Enquanto estiver por aqui degusta-los.

            Fazer licores é arte, igual a pintar belos quadros e compor belas músicas. Continuemos com estes ofícios. Fazermos licores, pintar belos quadros, compor melodiosas canções.

            Seu Fransquim, vá em paz e diga a meu pai, seu compadre, que sou um homem feliz!

Benfica, 08/06/2019

 

Mais artigos do Autor.