Crônicas

José Solon Sales e Silva

Titular da Cadeira nº 34

 

RUA DO PAPOCO

            É um papoco. Meu padrinho de crisma era também nossos vizinhos e mudou-se para o rua do Papoco e me deixou sem meus amigos desde criança, Zé Cleiton e Sidney. Mas, quando eles não desciam para a Praça Abílio Martins eu subia para o rua do Papoco.

            A rua era um papoco, larga, com duas mãos e uma alameda central arborizada. Ali corríamos e brincávamos de mancha. Havia muito espaço.

            Na rua do Papoco moram meus padrinhos de batismo, padrinho Inocêncio Veras e madrinha Raimundinha, na esquina que fazia quina com a casa da D. Luizinha, avó do Maurício, do seu Pinho. Maurício do seu Pinho, porque havia o Maurício Paulino e até o Maurício Xerez, mais velho que nós. Maurício nosso amigo de escola e da nossa idade, assim como o Paulino. Acho que Maurício do seu Pinho é da nossa idade. Vou perguntar ao Sr. Pinho, pai do Maurício e compadre de meus pais.

Na rua do Papoco, era um papoco. Corríamos, gritávamos, pega pega e futebol até ficarmos encharcados de suo.

Vizinho a D. Luizinha, vó do Maurício, moravam os Torres, eram muitas meninas e comíamos doce de leite de vez em quando por lá. Só na rua do Papoco. Vizinho ao seu Milton, o Torres, os Mourão ou Dona Peinha? Dos Mourão fui aluno de um fera tempos depois já no Curso de Letras da UECE, o Valdemir Mourão. Sábio, brabo e íntegro. Os alunos o respeitavam. Excelente professor.

Outro vizinho do meu padrinho Antônio José era o Sr. Abdias, sério, culto, hierático. A casa do lado direito de quem estava dentro da casa do padrinho. Vizinho ao meu padrinho Inocêncio o Dr. Rocha e D. Etinha com seus filhos Bebeta, amiga das minhas irmãs mais velhas, Nadson, mais perto de mim e do Zé Cleiton.

Rua do Papoco, cheia de barro vermelho. Quando voltava pra casa, mamãe relhava comigo porque os pés e canelas eram carro só, vermelho. Depois acalçamentaram. Corríamos, brincávamos, éramos felizes. 

Ainda somos felizes na Av. da Municipalidade, ideia visionária do Dr. Rocha para homenagear todos os gestores de nossa Ipu. Se ainda é oficialmente não sei mas para as crianças da época continua sendo rua do Papoco.

Fomos privilegiados. Brincamos, corremos, vivemos, amamos, namoramos e fomos felizes na rua do Papoco. Por que será que ali era a rua do Papoco? Qual teria sido o papoco acontecido ali?

Não sei. Mas sei que o Papoco era a felicidade dos que ali usufruíram, brincaram, viveram e gozaram daqueles temos do papoco.

Coco, 02/12/2019

 

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