Crônicas

Francisco de Assis Martins

Titular da Cadeira nº 15

 

Reminiscências e Saudades

A recordação é um relicário do passado, onde guardamos com requinte e zelo as preciosidades do nosso afeto, a qual conservou com grande estima e veneração, merecendo por seu valor inestimável o nosso enternecido amor. Ao revisarmos o arquivo do passado descobrimos reminiscências tão vivas, que decantam a nossa saudade, embriagando, a nossa voz, embevecendo a nossa imaginação, num revolver de suprema felicidade. Saudade é a vontade de ver e reviver de novo as páginas de ouro que ilustram a nossa vida. É embevecido por esta magia de sentimentos afetivos, que quero sentir o prazer de focalizar os tempos idos e vividos nesta Ipu tão querida, cantada e decantada pelos seus filhos. Meu Ipu, nesta noite bonita em que a música enche os corações de reminiscências e saudades. Eu lembro com emoção o catecismo na residência do senhor Plácido Passos, com toda a dedicação nos ensinava amar a Deus... Nas tardes de maio, que na misticidade de seu encanto, convidava-nos a prece; na nave principal da Igrejinha estávamos nós crianças a espera do ensaio da coroação que encerrava o mês de Maria. Todas as crianças felizes cantavam “saudemos Maria, cantemos louvores”... Quantas saudades!... Lá na Igrejinha símbolo principal de nossa terra, nos consagrávamos como soldados de Cristo, onde diariamente íamos rezar ao Cristo sacramentado a visitinha... Meu amiguinho Jesus aqui presente no sacramento do Vosso amor, eu vos ardor. Na Casa D’Aula realizávamos os nossos festivais com cançonetas e peças teatrais e logo após os ensaios Valderez, Urânia, Glaura Soares, Assunção Martins, Zulene Paiva e Auri cantavam “Tenho no morro um barracão de zinco, muito velhinho e de minha estimação”... A Lua passeava no céu e derramava sobre nós a sua luz argêntea. Reminiscências e saudades dos desfiles da Cruzadinha pelas ruas da cidade, as fotos batidas no patamar da Igrejinha, em que a criançada buliçosa se preparava para tirar os retratos. Saudades dos piqueniques que realizávamos no Gangão criançada alegre e feliz se dirigiam para aquele recanto acolhedor e bonito. Cruzadinha, marcaste nossa vida com o sinete da fé e d amor a Deus. Saudades doces recordações dos colégios do que nas datas cívicas apresentava ao som da Banda local, belas ginasticas na Praça Abílio Martins, avivando em nós o amor cívico. Saudades do Damiao Pezão, que nas caladas das noites passava na Rua da Goela conduzindo sua cadelinha a latir e um violão. Cantava a doce Lua, voz bonita a bela voz: “Meu amor por que pensas ainda em mi, não choremos a vida passada, por que todo romance tem fim”. “Saudades e doces recordações do grande seresteiro Alberto Aragão que dedilhava com perfeição o velho pinho e percorria as ruas da cidade com os amigos nas noites serenas e claras de lua, cantando “A Deusa da minha Rua” “Velho Realejo”, “Amarguras”,” e etc. e sua voz enchia o silencio das noites acordando o Ipuense. Alberto Aragão, com sua energia moça e vibrante, robustecido pelo entusiasmo, ora apaixonado pelo bem e pelo belo. Ipu!...Pequenina, bonita... Hoje venho extravasar os meus sentimentos de afeto, perfumados como o aroma da saudade.

 

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