Crônicas

José Solon Sales e Silva

Titular da Cadeira nº 34

 

O Beco

            É o caminho mais curto para se chegar de uma rua a outra. Mas existem as avenidas. Amplas, largas, cheias de árvores nos canteiros centrais. Para o francês os boulevards.

            Cidades. Invenção humana cheia de espaços para viver, conviver. Mobiliários urbanos. A coisa tende para a arquitetura urbana. Até agora os arquitetos estão entendo.

            Mas não é sobre planejamento urbano que quero falar. Quero falar de gente. E disso os arquitetos entendem bem, pois projetam espaços para o bem viver, com elegância, funcionalidade, conforto.

            E disso também entendemos nós, os professores. Os que ensinam. Mas há diferença grande entre professores e educadores. Entre becos, ruas e avenidas.

            Prefiro ser beco, pois por ele chego a um espaço maior. Quem sabe a uma rua, quem sabe a uma avenida ou até mesmo um boulevard. Para o arquiteto melhor projetar uma avenida. Para o professor também. Mas... Para o educador melhor ser beco.

            Sair do pequeno, do apertado, do talvez não dê a nenhum lugar. Existem becos sem saída. Mas os becos nos levam a lugares grandes. São passagens que nos levam quem sabe a nossa pequena e humilde casa e que é grande para quem mora para quem vive.

            Ser professor, inicialmente. Esbanjar conhecimento, sapiência. Se achar o melhor dos melhores. Mas a essência não reside ai, ai é uma avenida. A essência, quem sabe, talvez vá residir no beco, aonde há minha morada, simples, aconchegante, pequena, elegante e harmônica, educadora.

            Ah! Os arquitetos. Ah! Os Professores. Educadores, quem sabe, todos eles. Não  há como chegar no maior sem antes passar pelo útero de uma mãe. Lugar cada vez mais apertado e que aos nove meses não comporta mais. Imaginem vocês! O ser humano nasce com um peso de três a cinco quilos. O que isso representa? O beco. A vida concedida pela mãe. Saiu do útero, entra na rua. Cresceu em espiritualidade, chega à avenida ou melhor seria no boulevard.

Espaço é seu desejo de evolução é meu. Ah! O beco. Os espaços urbanos projetados pelos arquitetos tendem a ser excepcionais. Os espaços projetados por cada um de nós é singulare. Juntando-se as singularidades chega-se ao excepcional.

            Prefiro o beco à avenida, o útero ao mundo externo. Prefiro o aconchego do beco, da rua, da avenida. Prefiro viver, ser e fazer todos felizes.

Aos que perceberam escrevi sobre arquitetura aos que preferirem escrevi sobre ser professor ou educador.  Sou professor de profissão e busco ser um educador. Prefiro o beco, a rua, a avenida ou melhor seria o boulevard? Eu escolho, eu busco, eu pretendo.

Arquitetura e magistério guardam muitas semelhanças. O educador, um caminho. O arquiteto um caminho com conforto. O Beco da Beinha nos leva ao alto. Dos quatorze. De lá se vislumbra uma magnífica vista da cidade. Ipuense que é ipuense sabe o que digo.

Sou feliz com tudo isso. E você? O que pensa disso?

Coco, 23/04/2019

 

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