Crônicas

Maria de Lourdes Mozart Martins Moura

Titular da Cadeira nº 35

OH A BALA, SOLONZIN!

(OUTRA VERSÃO)

 

            O autor da crônica Oh a Bala, Solonzin! é o querido amigo e ainda meu parente, Abílio Lourenço Martins.

            De início vou falar do parentesco. Ainda criança, morando no Ipu, a minha avó, Irene Martins, segurando a minha mão, sempre me levava às rotineiras visitas que fazia à sua prima legítima Adelaide Martins, no Quadro da Igrejinha, visitas que eram retribuídas com assiduidade. Creio, que entre as duas, existia um grande bem querer.

            Por sugestão e por respeito, a minha avó ensinou-me a chamá-la de Tia Adelaide, coisa que fazia sempre e ainda pedia a sua bênção. Assim Abílio, está explicado que as nossas raízes são as mesmas e disso me orgulho. Para mim, você é um exemplo de um ser humano quase perfeito.

            Agora vou dar a minha versão para a crônica acima citada. Você, como advogado, sabe muito bem que o símbolo da justiça é uma balança. As palavras devem ser pesadas, medidas, contadas e depois julgadas,

            Concordo em tudo o que você falou sobre o nosso amigo Solonzin. suas qualidades são indescritíveis, você tem plena razão. No dia do assalto ele amarelou e amarelou feio. Rápido como um relâmpago, sumiu, se escafedeu. Aquele momento foi cruel e eu tremendo pensava: Poxa! vim morrer na minha terra.

            Para finalizar não posso deixar de dar a minha versão. O Abílio Martins, não obstante ser capacitado, muito bem treinado pela Polícia Federal, onde serviu por longos anos, tremeu na base. Quando tudo silenciou e tivemos a certeza que os bandidos tinham partido, apesar de todos nervosos, o Solonzin ainda foi pagar a conta e as mulheres foram todas para o carro do Abílio, atrás de segurança. Ficou superlotado. Ele não conseguia dar partida no carro, porque as mãos tremendo, não colocava a chave na ignição. A Chaguinha, sua mulher, é que dava força. As pernas daquele homenzarrão tremiam mais que vara verde. A Lucila falava: rápido, rápido. A Maria das Graças bradava: Os bandidos estão voltando e o Abílio sem conseguir sair do lugar. Momentos difíceis.

Primo, me desculpe, mas o Solonzin não pode sozinho ser o bode expiatório dessa história. Solonzin, estou advogando a seu favor, sem honorários, só esclarecendo os fatos.

Soube depois que a Socorrinha, toda valente, enfrentando os bandidos, depois de passar o efeito da cerveja, chorou que nem bezerro desmamado.

Bala é bala, e com bala inesperada não se brinca, até policial da Federal treme na base.

 

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