Crônicas

José Solon Sales e Silva

Titular da Cadeira nº 34

 

MA CHÈRE PROFESSEUR

               Tenho uma predileção imensa pela língua francesa. Gosto muito. Estudei e fui a França fazer o que hje chama-se de intercâmbio, nesta língua melodiosa. De onde veio este encantamento ? Bem sei, da minha infância.

               Tive a grata felicidade de ser aluno do Ginásio Ipuense, dirigido pela firmeza do Prof. Moacir Alves Timbó. Meu pai era amigo e conterrâneo do Prof. Moacir e também professor de História e Biologia de seu colégio.

               Após minha alfabetização houve mudança no ensino brasileiro em função do momento do governo militar. Acabou-se o Ginasial e o Colegial e criou-se o 1º e 2º Grau. No primeiro grau existiam oito séries e no Ginásio Ipuense da 1ª a 4ª série estudava-se francês e da 5ª a 8ª inglês.

               Onde surge minha paixão pelo idioma francês ? No Ginásio Ipuense com uma professora ícone. Chamava-se ela Zélia Faria Correia, uma norte riograndense que casou-se com um ipuense. Onde se cohecheram ? Não sei, mas perguntarei ao Dr. Ivani.

               Curiosamente, ano passado desenvolvi tese para chegar a professor titular no Instituto Federal do Ceará e, para este afã, era necessário redigir um memorial de minha vida estudantil e acadêmica.

               Escrever sobre meu doutoramento foi fácil, afinal ali cheguei na maturidade. Mas... escrever sobre minha vida estudantil foi difícil. Exercício maravilhoso. Busquei na memória todos os detalhes de D. Maria Assis a Dr. Fadel Tuma Filho. Que exercício custoso mas, sobretudo prazero. E nestas lembranças veio-me a Profa. Zélia. Fidalga, hierática, elegante nos modos e no vestir, bela. Melhor que tudo lúcida, competente e acima de tudo, sabia tocar corações. Ela como professor teve muitos alunos, talvez nem dá para conta-los. Mas como professora tocou um aluno, pelo menos, eu.

               Sou prepontente. Mas fui atingido por uma ideia e isso é o que mais importa. Profa. Zelia mostrou-me a beleza e magia da língua francesa. Hoje leio perfeitamente, entendo tudo e falo razoavelmente o idioma de Honoré Balzac.

               Profa Zélia, além de bonita era, como já disse, elegante, vestia-se muuito bem, era educada, fina e uma eximia educadora. Para e minha idade dominava com maestria o idicoma francês e especialmente sabia vender ideias. A ideia da relevância da língua e o gosto pelo estudo.

               O memorial da minha vida acadêmica foi custoso, prazeroso e me levou a mais uma vez agradecer tudo que recebi de inúmeras pessoas ao longo da vida. Profa. Zélia foi uma delas. Encaminhou-me para o estudo de línguas que me proporcionaram alegria, prazer e esatifação. Até hoje guardo um livro em minha estante ‘Français Premier Livre’ de Irma Aragonés Forjaz, editado em São Paulo pela Companhia Editora Nacional em 1969 por onde iniciei o aprendizado do francês. Não me desfaço dele nunca, pois ele é a representação material de uma ideia e de um ideal. Remete-me as minhas primeitras letras de l'étude de la langue française.

               Ma chère professeur Zélia, je suis éternellement reconnaissant de vos enseignements.

               Et vive la France !!!

Coco, 05/10/2018

 

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