Crônicas

Maria Silonildes de Mesquita

Titular da Cadeira nº 38

 

Natal  Artificial!

              Na verdade, Natal é uma data muito significativa e marcante para o mundo cristão. É o aniversário do filho de Deus, Jesus Cristo ! Mas o homem com seus reveses inventivos, transformou esta magna celebração, numa festa comercial e artificial. Desvirtuando totalmente o verdadeiro sentido do Natal. A partir do mês de outubro, já vemos as lojas e shoppings, se vestindo e se enfeitando para o Natal. Quando vemos, chegamos a nos perguntar; já é Natal?

            Mundo inteiro começa a se preparar para a exploração comercial, em volta deste grande acontecimento. A explosão de festas e confraternizações já começam no finalzinho de novembro! Chegam a errar na dose, pois é festa de mais e amor de menos. Vemos nas fisionomias das pessoas o artificialismo, a obrigação do encontro ou somente para sair nas fotos ao lado de pessoas interessantes e colocar nas redes sociais. E assim, o Espírito do Natal acaba passando longe!

     Olho para os lados e vejo irmãos tristes e desanimados, porque não podem participar do amigo -secreto da empresa que trabalham, outros tristes porque não têm uma roupa nova para vestir, outros mais tristes ainda, porque não têm condições de preparar uma ceia farta, como aquela mostrada nos comerciais de televisão. Outros estão com os olhos marejando de lágrimas por    lembrarem que neste Natal, não poderão ter consigo seus entes queridos, que já partiram. Quanta dor emocional envolve as pessoas neste momento! E sendo assim, as somas das energias negativas vão se acumulando e deixando muitas pessoas amarguradas, engessadas e encurraladas emocionalmente.

       Eu, particularmente, ainda hoje chorei ao lembrar de uma cena presenciada por mim, no dia da nossa confraternização na escola em que trabalho. Chegando lá para a nossa festinha de confraternização, vi um menino debruçado no portão, olhando para dentro da escola, como se quisesse lá entrar. Marcante e forte foi aquele seu gesto. Quando o mesmo me viu, veio correndo me abraçar e eu muito feliz com aquele abraço, fui logo perguntando o que ele fazia ali, pois desde o dia anterior os alunos já estavam de férias. Ele me disse que era saudade e costume de todo dia vir para a Escola. Daí ele me perguntou se ia ter festa de Natal e eu disse que sim. Ele com seu jeitinho de criança sofrida, olhou para mim e me perguntou se ia rolar salgado e eu lhe disse; me espere que eu vou pegar dinheiro para que você possa comprar seu salgado. Pois sempre me pedia dinheiro para o lanche. E assim fiz, mas qual não foi minha tristeza ao voltar!  Gabriel já não mais estava ali. Fui até a calçada e o procurei, mas o vigilante fechou o portão e não mais permitiu que ele ficasse lá. Então fiquei pensando naquela criança, em sua tristeza por não ter participado da festa e nem ter comido o salgado. Da ideia que ele tem de Natal e me senti um pouco responsável por ele.

        São muitos os fatos tristes ocorridos neste período de festas natalinas. Tudo isso porque as pessoas se deixam levar por falsas aparências de um Natal artificial, onde prevalecem o luxo, o requinte, o egoísmo, a frieza e dureza de corações petrificados que não sabem se colocar no lugar do outro e estender a mão, para fazer alguém feliz neste dia.

       Minha oração hoje, é para que o mundo possa verdadeiramente caminhar em busca da celebração do grande Natal, onde o amor verdadeiro, a partilha e a união dos povos prevaleçam! Abaixo o Natal Artificial, este faz triste os corações ou mata vidas!

 

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