Crônicas

Abílio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

Dois grandes amores

Os teatros de óperas por esse mundo afora são, na verdade, verdadeiras esculturas arquitetônicas. A maioria preserva o clássico ou neoclássico. Outros, a arquitetura contemporânea. Mas são todos belos.

A sensação que eu tive quando visitei alguns deles foi a mesma que sentí quando, pela primeira vez, botei os pés no  Maracanã, Mineirão, La Bombonera, Camp  Nou, San Siro ou Santiago Bernabéu. Estes, os palcos do futebol; aqueles, da música e do teatro.

Nos estádios vinha-me a lembrança dos grandes embates: Fla / Flu,  Cruzeiro / Atlético,  Boca Junior / River Plate,  Barcelona / Real Madrid, Internazionale / Milan e outros mais.

Vinha-me, ainda, a lembrança dos grandes craques e verdadeiros artistas do gramado:  Pelé, Garrincha, Maradona, Tostão, Platini, Beckenbauer e tantos outros.

Nos teatros da música, embevecido de tanta beleza e emoção, vislumbrava as apresentações das orquestras sinfônicas de Berlim, de Londres, Moscou, Filarmônica de Viena interpretando as mais belas composições dos grandes e eternos craques da música: Sebastian Bach, Verdi, Beethoven, Mozart, Tchaikovski, Chopin, Strauss e dezenas de outros mais.

A verdade é que são dois teatros parecidos. Ambos emocionantes. Entretanto, uma diferença: Nos estádios, a beleza é percebida pelos olhos e extravasada pelo grito; no teatro da música a beleza é sentida pelos ouvidos e guardada silenciosamente dentro d’alma.

Abilio, out 2010

"Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música e quem não acha graça de si mesmo."

(*) Música composta pelo austríaco Franz Lehár (1870 – 1948)

 

 

 



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