Crônicas

Titular da Cadeira Nº 15

Estes dias de inverno, tem estado belos, tão belos como a mais bela paisagem de um quadro de Monet. O tom do céu tem sido de um anil tão intenso como o mais precioso miosótis que floresce em uma primavera de luz. A vida canta melodias cristalinas, como se a vida fosse um soneto de Shakespeare. Este pseudo inverno parece um quase verão. Seja pelas tardes florescentes e fluorescentes, seja pelas crianças que brincam mais alegres, seja pelos parques que parecem mais verdes, seja pelo belo intenso estrelado do céu. O atípico calor era aquecimento global não causou ainda estragos gritantes às paisagens, que parecem presentes Divinos perfumando cada lacuna da vida. 


Prestar a atenção na natureza e nos detalhes delicados que se escondem em seus contornos, é às vezes um bálsamo, é às vezes uma prece pra mim. 

Tenho sentido uma enorme ânsia da presença Divina em minha vida. Mas não procuro o Deus presente em religiões e opiniões do mundo. O que anseio é por àquela força benigna, infinitamente feita de esperança e conforto, que é maior do que todos os estatutos e valores humanos. 

Geralmente tento ser positiva. Mas, existem capítulos da vida, que parecem meio cinzentos. Caminhamos por caminhar, tudo parece não ter muito sentido e razão. Sinto-me às vezes uma coadjuvante no grande filme da vida. Não sou perfeita, sou humana. E, as vezes bate um desânimo. Sim, sensibilidade demais às vezes é um fardo meio pesado no mundo. 

Às vezes me sinto só, mesmo cercada de pessoas. Às vezes eu estou sorrindo, mas "raindrops are falling on my head". Sim, as gotas de chuva estão caindo sobre a minha cabeça incessantemente, e eu procuro intensamente um caminho no meio da tempestade. É como se os jardins de minha alma ansiassem por sol, brisa, claridades e amor. 

Bem lá no fundo do meu ser paira uma certa tristeza. Tudo é como se espelhos d'água proveniente do âmbito mais infinito de minha alma, insistissem em intensificar "as gotas de chuva". 
Tudo é como se eu tentasse voar, e caísse sem minhas asas. 

No entanto de repente, na roda infinita da vida, tudo se modifica. De repente, quando olho para a natureza, como neste inverno de beleza ímpar, tudo se acalma dentro de mim. O mar revolta se torna sereno. O céu cinzento e nublado se faz singelo e perfeito anil. 
Uma prece com o olhar é sentida. Tudo se torna uma brisa perfumada, onde se faz possível sentir o conforto da presença divina. O vai-e-vem constante da vida, que ora nos traz sol, ora dias nublados, faz tudo ganhar novos e belos prismas. Tudo se ganha uma nova luz de repente, como o mar revolto que se faz silêncio. Como o inverno intenso que se faz leve primavera. Como o canto do beija flor que renova a poesia da vida a cada amanhecer. 

 

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