Crônicas

Abílio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

Ingratos

No auge da minha infância eram todos vibrantes, saudáveis e bonitos. Esvoaçavam de alegria em minha companhia, sabedores do carinho e do bom trato.

Enchiam-me de orgulho e eram por todos admirados.

Em minha companhia, eu lhes dava, a cada ano, mais amor. Era parte integrante da minha vida.

Na juventude... Ah, na juventude estavam eles ao meu lado, recebendo doces carinhos das mãos macias de um novo amor.

Mas, como tudo na vida tem o seu início, meio e fim, eles foram aos poucos se ausentando, deixando-me um vácuo e uma enorme saudade.

Nos reencontros com amigos, a costumeira indagação:

_ O que acontece com os seus amigos que estão aos poucos lhe abandonando?

_ Não sei. Inexiste explicação, pois sempre lhes dei muito carinho.

Alguém sugeriu que os trocasse por outros. Assim o fiz, mas sem resultado. Aqueles são insubstituíveis.

Chorei as suas ausências, mas consolei-me.

Hoje, feliz, convivo harmoniosamente com os meus poucos, mas fiéis cabelos brancos.

(Que os dentes não sigam o mesmo destino!)

Abílio, 12 mar 2018

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