Crônicas

Titular da Cadeira Nº 34

             Recentemente participei do lançamento do mais novo livro do colega Marcelo Farias Costa. Marcelo Costa é sem dúvida o maior estudioso do teatro cearense e também o que mais publicou sobre Carlos Torres Câmara o criador da comedia cearense. Marcelo é ator exímio, dramaturgo, diretor, professor de História do Teatro Cearense, uma autoridade no assunto. Folgo em ser seu colega de Instituto Federal do Ceará.

            Sou um entusiasta dos escritos de Marcelo e olha que são muitos, tenho em minha biblioteca toda a obra produzida por ele. São 17 livros, 5 peças de teatro, 14 livros organizados e 4 plaquetas. Pois bem, a última obra lançada foi o livro “Quem é Quem no Teatro Cearense” - Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2017,  compêndio em capa dura, esmerado, com quase 600 páginas. São 506 biografias de atores, atrizes, diretores, iluminadores, musicólogos teatrais, cenotécnicos e dramaturgos cearenses.

            Entre tantas e tantas celebridades dentre elas Adolfo Caminha, Antônio Gondim de Lima, Antônio Sales, Artur Eduardo Benevides, Ary Sherlock, B. de Paiva, Cláudio Jaborandy, Clóvis Beviláqua, Deugiolino Lucas, Diva Torres Câmara, Elzenir Colares, Fausto Nilo, Fernanda Quinderé, Gustavo Barroso, Haroldo Serra, Hiramisa Serra, João Brígido, José de Alencar, Marcus Miranda, Otacílio de Azevedo, Paulo Ess,  Paurilo Barroso, Pierre Luz, Ricardo Guilherme, Soriano Albuquerque, Waldemar Garcia, Zenon Barreto vamos encontrar a ipuense Damali. Um destaque muito grande, pois ela é uma das 506 autoridades no mundo do teatro cearense a ser biografada por Marcelo Costa.

            Vale a pena transcrever o poema de Maria Cleide de Melo Lima Damasceno:

Quem sou - Quem somos
Sou provinciana
Da raiz do muçambê
Do mata pasto verdinho
Da jitirana... E você?
...Também sou do cheiro do bamburral
Do perfume do mofumbo
Das folhas do marmeleiro
Do bagaceiro
Lá pertinho do curral.
Na palma de minha mão
Peguei o sopro do vento
Do "aracati" varrendo a noite
Na rapidez do momento.
Do odor agridoce da mangueira
Daquela luz amarela do luar
Da meninada na carreira
Da contradança da roda a brincar...
Do cheiro do mel de cana
Da festa da farinhada
Menina provinciana
Daquela infância passada...

           Estes versos retratam de forma precisa as origens de nossa homenageada e as nossas próprias. Pois, nascida Raquel Lima Damasceno, adotou o nome artístico de Raquel Damali, talvez de Damasceno e Lima, famílias queridas e tradicionais de nossas plagas. Neta do Sr. Francisco Lima que foi ator em nossa Ipu. Filha de Luiz Evangelista Damasceno e Maria Cleide de Melo Lima Damasceno, foi integrante do Grupo de Teatro Amador Ernestina Magalhães tão bem dirigido por nossa Profa. Walderez Soares, de onde também participou o avô. Com este grupo atuou nas montagens de Barco Sem Pescador em 1991 e Desarmonia no Lar também em 1991. Em 1999 é convidada por Marcelo Costa, caçador de talentos para integrar o Grupo Balaio por ele dirigido. Sua estreia neste grupo deu-se com a participação na peça Cinderela ainda em 1999 e em seguida atuou em Toda Donzela tem um Pai que é uma Fera o que lhe deu o premio Destaque do Ano como Atriz. Marcelo não costuma errar, trata-se de atriz de talento.

          Diz o ditado popular que “filho de peixe, peixinho é”. O Sr. Francisco Lima era um literato, homem afeto as letras, de muita leitura. A mãe poetiza, escritora, dramaturga e também atriz amadora nas épocas de escola. Ainda muito jovem, nos tempos de aluna do Patronato escreveu a peça Os Sinais de Pontuação, tratando das questões gramaticais da língua portuguesa. Posteriormente escreveu o ABC do Ipu e o Auto do Santo Padroeiro, esta última encenada pela filha Damali em 2002 com o Grupo Teatral Amador 3 Estrelas de Ipu.

           Em 1992 ingressa na Universidade Estadual do Ceará onde cursou Ciências Sociais terminando em 1999. Em 1993 vai estudar teatro no Curso de Arte Dramática da Universidade Federal do Ceará concluindo o curso em 1994. Atuou ininterruptamente, na cena cearense, de 1999 até 2004 quando parou por conta da maternidade, ocasião do nascimento de sua filha Beatriz. Profissional de sociologia trabalhou no setor de marketing da Unimed de Fortaleza, Cooperativa de Trabalho Médico Ltda.

           O Clássico Rei texto do cearense Jorge Ritchie, dirigido por Marcelo Costa pela Cia. Dionisyos foi à cena em 2015 e retrata com humor nordestino a rivalidade entre torcedores do Ceará e do Fortaleza, buscando apelo pela paz no futebol.

             Em 2017 atua na A Prima Dona uma comédia de José Maria Monteiro, dirigida por Marcelo Costa e que esteve na cena do Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno, em Fortaleza.

            Ernestina Magalhães bem que poderia ter entrado na obra de Marcelo assim como Walderez Soares, Francisco Lima e tantos e tantos outros talentos ipuenses. Fica um desafio para Cleide Damasceno, por que não escrever sobre o teatro no Ipu? As maravilhosas atuações deixamos para Damali que possui talento para tanto.

          A Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes, reverencia Raquel Lima Damasceno por sua inclusão nas biografias do “Quem é Quem no Teatro Cearense”, deveras merecida. Viva o teatro ipuense!

Coco, outubro de 2017

 

 

 

 

 

Mais artigos do Autor.