Crônicas

Titular da Cadeira Nº 15

As tradições de um Povo consistem na preservação de sua história.

E não é diferente no nosso Mercado Público, localizado no Centro da Cidade, para onde converge à população para o seu habitual abastecimento.

Sua construção foi iniciada no ano de 1890, pelo Major Aprígio Quixadá e concluído e inaugurado em 1920 pelo o Interventor Cel. Jose Raimundo Aragão Filho (Arquivo de João Anastácio Marins).

Foi construído dentro de uma arquitetura Barroca. Destacando-se a forma de suas portas e janelas, quase em ogivas, uma obra que, como as outras, sofreram as costumeiras modificações na sua estrutura, abalando de modo geral toda sua originalidade.

Mas as lembranças daqueles que por ali passaram permanecem vivas e muito vivas entre nós.

Recordo-me muito bem das casas comerciais e seus proprietários. Começando com Murilo Mota e suas Irmãs que carinhosamente eram chamadas de “As Meninas”, a loja de tecidos do Sr. Luiz Soares, a bodega do Manoel Aragão conhecido também como Manoel “Catrevagem”, a loja do “Quindô Soares” a mercearia do Antonio Melo o nosso bom “Papa Pimenta”, a loja, do seu Antonio Mariano, a bodega sortida de Mauro Mota, contendo uma variedade incrível de produtos, a Casa Pontes, de José Osmar Pontes, era um destaque comercial de Ipu, a loja do Sr. Gonçalo Corsino de Melo, a bodega do Quincas Coelho, do seu Jacob Ximenes do Prado, da sortida casa de Humberto Taumaturgo; da Sapataria do Raimundo Lopes, o gerente era o “Opinião”; a taberna do Antonio Olímpio, a "Birosca" do "Mané Rocha”, a Casa Sampaio, o Afonso, o Manduca, o Milton Aragão, foi a bodega mais desarrumada que conheci, o Sr.Chico Soares, da Sapataria de consertos do " Manesinho Felício", da loja do Povo, depois Casa Triunfo de Gonçalo Melo cujo slogan e: “Casa Triunfo. O Triunfo Certo de sua Economia.” ainda hoje existe.No interior do mercado os chamados de Barracão, constituído de várias “Bodeguinhas” de prateleiras de tábuas de caixão de sabão, de Antonio Marcelino, Antonio Pinto, Luiz Bentivi, João Passos, e mais as Bancas de Café da Maria Veado, da Maria Cachorrinho, do Del Aires e outros tantos, e como não poderia deixar de existir os açougues, que ainda hoje fornecem carnes para nossa população.

Na cidade ainda existiam várias casas comerciais: Lima & Cia, Comercio        de         Ferragens, Instrumentos Musicais, Tintas, Rádios, Espingardas, Louças, Alumínio, Papelaria etc.

Armazém Uirapuru, os Armazéns Ceará, a Loja dos Soares, localizada na Rua da “GOELA” com Avenida Cel. José Lourenço, uma verdadeira Casa de Variedades, tudo ali era vendido, do Esmalte à Gasolina. Recordo-me a Caixa registradora, a primeira que conheci, dando aquele toque com uma campainha quando aberta para guardar o dinheiro, e eu ficava tonto para saber onde se dava aquela sonoridade.

 Nas noites de Natal era um sucesso. Joaquim e Sebastião Soares comandavam a administração da grande Loja de Variedades, vejam, que intuição comercial ainda nem pesávamos em Casas de Variedades e já podíamos ver aqui em Ipu a desenvoltura comercial dos seus proprietários. O seu principal funcionário era o hilariante Vicente Pinto Neto.

Uma das coisas mais original e até mesmo folclórica era a “Cachorra do Mercado”, uma sineta colocada na entrada do portão lado poente que anunciava às 06 da manhã à abertura do Mercado, tocando às 11horas para fechar para o almoço, indo badalar às 13 horas para reabertura do expediente da tarde, tudo isso era cumprido rigorosamente pelos proprietários das casas comerciais existentes no Mercado.

Às 15 horas a “Cachorrinha”, tocava alegremente anunciando a chegada da CARNE, era um momento de vai e vem. E às 17 horas tocava outra vez para o fechamento do mesmo.

Ipu foi sempre um Centro de atração Comercial e Cultural de nossa Região.

O Sr. João Mendes, Pai da Idelzuite Mendes, era o funcionário da Prefeitura que tocava a sineta do Mercado, a “cachorrinha”, como era conheci nos horários acima citados.

Aos 27 dias do mês de fevereiro de 2007 o nome do nosso Mercado Público recebeu o nome do nosso saudoso Francisco da Silva Mourão, o seu Chico Mourão uma homenagem das mais merecidas àquele que teve uma vida inteira dentro do nosso Mercado vendendo Carne.

 

 

 

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