Crônicas

Titular da Cadeira nº12

 

Dona Maria?  Nunca mais!

            Para que tenhamos uma vida saudável e equilibrada, necessário se faz  o balanceamento de quatro importantes fatores que nos acompanham: O trabalho, a diversão, o estudo e o crescimento espiritual.

            Se dedicarmos exageradamente o nosso tempo a um específico fator, com certeza teremos uma vida desequilibrada, estressada e rumando, seguramente, para o isolamento.

            Vejamos: Se um indivíduo se dedica excessivamente ao trabalho, tornar-se-á, gradativamente, uma pessoa esclerosada, estressada e sem uma vida social ideal; se prioriza a diversão, certamente o levará para a irresponsabilidade; Só estuda e ler, enclausura-se, cresce intelectualmente, individualiza o seu mundo, mas, sem tempo para compartilhar a sua cultura. E se esta pessoa se dedica exclusivamente à reza, com exceção dos grandes santos, tornar-se-á uma beata de poucos amigos.

            Adolfo, desde criança, dedicou a maior parte do seu tempo ao trabalho, tornando-se, precocemente, uma pessoa cansada e estressada.

            Certo dia, revelando a um amigo as suas tribulações, dizendo estar esgotado de tanto trabalho e compromissos, este amigo, de temperamento lascivo, indicou, de pronto, a Dona Maria. Segundo ele, uma excelente e bonita fisioterapeuta que, certamente aliviará, com as suas suaves mãos, o seu estresse.

Adolfo entusiasmou-se. Queria detalhes sobre a fisioterapeuta, as suas massagens, seu endereço, etc.

Ansioso e sem perder tempo ligou para Dona Maria e marcou o dia da primeira sessão.

No dia marcado, apreensivo, dirigiu-se para uma das ruas secundárias de um dos bairros da cidade.

Na rua e número indicado estaciona o carro e demasiadamente apreensivo dirige-se ao número 370.

Bate palmas.

Surge uma senhora de pele escura, altura e peso bem acima do normal, pesando 100kg ou um pouco mais, uma toalha no pescoço e o atende.

_ Pois não, Senhor?

_ Boa tarde. Eu queria falar com a Dona Maria.

_ Pois não, sou eu. Pode entrar.

A surpresa, ou melhor, o susto, foi grande. Adolfo pensou engabelar uma desculpa ou retornar rapidamente ao carro, mas não havia condições. Entrou.

A profissional, já sabendo tratar-se de um cliente, mandou Adolfo tirar a camisa e se dirigir ao quarto.

Lá, ríspida, manda Adolfo encostar-se na parede. Sem a menor delicadeza, com uma das mãos pega no queixo do Adolfo, a outra sobre a cabeça, dá um puxão para um lado, para o outro e o Adolfo aos gritos: Cuidado Dona Maria... Ai Dona Maria.

_ Deixe de ser mole, Seu Adolfo!

Agora, vire ao contrário, de frente para a parede. Disse ela, enxugando constantemente o suor da testa.

Obediente, lá estava Adolfo com o queixo encostado na parede.

Dona Maria segura uma das mãos do Adolfo, joga para trás, eleva e o coitado do Adolfo já de ponta de pés a gritar: Ai Dona Maria... vai quebrar Dona Maria...

_ Mas como o Senhor é mole, Seu Adolfo!

Agora deite de bruços. Disse ela.

O coitado do Adolfo, todo quebrado, deita de bruços.

A pesada fisioterapeuta começa a caminhar, ou melhor, a pisar nas costas do Adolfo, as costelas estralando e o Adolfo aos gritos.

Cuidado Dona Maria... Ai Dona Maria.

Por fim, e felizmente termina aquela sessão, ou melhor, aquela tortura.

_ Volte sempre, Seu Adolfo!

_ Voltarei, Dona Maria.

Já no carro, de volta para casa, Adolfo recebe uma ligação.

_ E aí Adolfo, gostou da massagem?

Era o seu amigo.

Fortaleza, 28 jul 2017

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