Crônicas

Natália Maria Viana Soares Lopes

Titular da Cadeira nº 14

O Dia de São José

Cheguei à porta de minha casa, olhei o nascente, curiosa, a ver  algum sinal de chuva. O termômetro , com certeza, marcando 30 e muitos graus...

Era o dia 19 de março, dia de São José, prazo que os cearenses esperançosos aguardam, para  início da quadra invernosa, com a volta da fartura e da alegria.

 Nada! Nem uma nuvem escura  anunciava chuva próxima. Com o coração entristecido entrei;  dirigi-me ao santuário, onde uma imagem do Pai adotivo de Jesus ocupa um espaço, entre as diversas imagens dos santos protetores, deixados  de  herança por minha avó.  Aajoelhei-me e, contrita,  rezei, pedindo a Deus Pai que, pelos méritos de São José, mandasse a chuva benfazeja a nosso Ceará, já tão sofrido.

Voltei à leitura de meu livro, “ O Ócio Criativo”, e desinteressadamente, procurei absorver as inteligentes mensagens, até a noite, quando, costumeiramente, sentamo-nos na calçada, hábito  ainda possível nas pequenas e médias cidades do interior cearense, com o cuidado, embora, de esconder o celular, para evitar a mão ligeira de  algum assaltante.

Da Igrejinha ouviam-se as vozes do “Terço dos Homens”; alguns amigos e familiares completaram nossa agradável roda de conversas. O assunto girava  sempre sobre  política, falta de segurança, aumento de preços,  nível das águas do açude Araras. Nada de fofocas.

A noite ia passando e a conversa esfriando.

Com os olhos ansiosos, olhamos o nascente e, surpresa grande, vimos um lampejo, uma faísca rasgar  a nuvem escura. Um relâmpago? Outro  clarão rompeu a escuridão da noite e, incrédulos ainda, resolvemos entrar e ouvir os trovões,  aguardando  a chuva próxima, já bem acomodados.

O equinócio aconteceu.

O tempo mudou para alegria cearense.

 Era o dia de São José.   

Mais artigos do Autor.