Artigos

Abilio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

 

Direita  x  Esquerda

 

Muitas vezes, ou, na maioria das vezes, as discussões políticas tornam-se calorosas e infindas. Melhor é posicionar-se em silêncio para não se indispor com colegas, amigos ou parentes.

Mas, permitam-me, hoje, pois é muito oportuno, posicionar-me sobre um tema atual e envolvente que está nas prateleiras políticas. As eleições.

É muito comum ouvirmos críticas de fulano ou sicrano, afirmando ser este ou aquele da direita ou esquerda.

Por acaso é vergonhoso afirmar ser situação ou oposição? Da direita ou esquerda?

O que normalmente acontece é que os direitistas tacham os esquerdistas de comunistas, como se um bicho fossem, e estes achacam aqueles de neófitos, ultrapassados, capitalistas, direitistas, etc. Bobagem de ambos os lados.

O que ocorre com a maioria dos esquerdistas é que não sabem conviver ao lado do governo. Sentem-se mais confortáveis nos palanques oposicionistas, fazendo, de praxe, os conhecidos discursos.

Querem um exemplo?  Tenho a certeza absoluta que os esquerdistas sessentões de hoje empinaram bandeiras, bateram palmas, ovacionaram os nomes de dezenas de brasileiros que lutaram contra a ditadura militar, presos e exilados em defesa da democracia.

Graças as suas vocações democráticas e destemidez, contribuíram, com altivez, para que o Brasil retornasse a ser um Estado democrático de direito. Refiro-me ao saudoso Mário Covas, Fernando Henrique, José Serra, Pedro Simon, Sobral Pinto, Paulo Brossard e dezenas de outros grandes brasileiros.

Não vamos, aqui, discorrer sobre a essência do comunismo, pois no seu bojo até que é interessante, pois promove uma sociedade igualitária, sem classes sociais.  No entanto, nos países que se instalou essa doutrina ocorreu uma brutal ditadura política, estatização da economia, e o pior, subtraiu do cidadão a sua sagrada liberdade de ir e vir.  Resultado: foi rejeitado pela sociedade.

Atualmente, dois países nanicos preservam, a muito custo, essa doutrina: Coreia do Norte e Cuba. Este, já revendo a sua política, aproximando-se, gradativamente, dos países de capital aberto.

Infelizmente, governantes de alguns países vizinhos ao nosso, em busca de se perpetuarem no governo, estão, à custa de uma progressiva repressão, tentando impor o socialismo, rotulando-o de “Revolução Bolivariana”. Termo usado pelo falecido Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela.

Trata-se de uma política assistencialista barata e populista. O resultado veremos num futuro próximo. Ditadura e a economia se esvaindo.

Gosto, com ressalvas, da política de inclusão social do governo do PT, muito embora veja, por trás dos panos, a prática recorrente do populismo e do assistencialismo.

Detesto, entretanto, a sua política externa. Esse flerte perigoso com alguns países que, mesmo contra a vontade da maioria procuram impor o regime socialista. Refiro-me, principalmente, a Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina.

Todavia, percebe-se nos poucos países socialistas que ainda restam e em alguns países capitalistas civilizados, paradoxalmente, uma grande convergência. A igualdade social.

Entretanto, aí existe, também, uma brutal divergência: enquanto nos países socialistas a igualdade acontece na base pobre da pirâmide social, sem qualidade digna de vida, nos países desenvolvidos, de capital aberto, a economia é sólida e a grande massa da sociedade vive numa razoável condição de vida econômica e democrática.

Desaprovando a ganância desenfreada que ocorre em alguns países capitalistas, este regime é, para mim, infinitamente superior ao regime dos poucos países socialistas que restam, em face da liberdade de uma saudável democracia, um comércio livre, um estável Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, e, fundamentalmente, a liberdade cidadã.

Abilio, 24 out 2014.

 

Mais artigos do Autor.