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Abílio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12 

 

 

Bolha  Política

 

Na política existe um fenômeno por demais ultrapassado e persistente, que, infelizmente, não é percebido pelas pessoas ou comunidades envolvidas, em face das regras imprudentes, paixões ideológicas e arcaicas e os interesses individuais.

Não me refiro, exatamente, aos famigerados “currais eleitorais”, em extinção, onde os “coronéis” detêm as suas “manadas de eleitores” como mercadoria fosse, para serem expostas nos períodos eleitorais.

O fenômeno sobre o qual me refiro e o chamo de “bolha política” é tão horrendo quanto os currais eleitorais. Nestes, o eleitorado submisso é, geralmente, analfabeto. Até se perdoa. Naquele, existe um agravante, as pessoas que a compõe são, na sua maioria, esclarecidas.

Essas bolhas, espalhadas nas mais diversas regiões e lideradas por políticos macabros e inescrupulosos, são compostas por um invólucro costurado por interesses os quais levam as pessoas que a compõem a só enxergar o seu campo de ação, escutar o que lhes interessa e ler somente o que lhes é conveniente. São, ainda, constituídas por pessoas interesseiras, ambiciosas, ideologicamente pobres, desprovidas do sentimento humanitário e, a maioria coloca a sua própria honra em troca de favores, de um emprego ou dinheiro fácil.

Podemos, por fim, afirmar que esse fato torna essas pessoas limitadas e míopes politicamente.

Privilegiado é, portanto, aquele que, ausente dessa bolha, detém uma visão macro, sadia e imparcial da política.

Ao votar não o faça com o coração, pois este consulta apenas a alma; vote com a razão, pois esta está atenta a sua consciência.

Abílio, 9 out 2009

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