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Graciliano Ramos de Oliveira

 

Alagoas, 27 out 1892    -    Rio de Janeiro, 20 mar 1953

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Estilo e gênero: Estilo seco e elegante, regionalismo com refinado estofo psicológico; seus romances constroem painéis pessimistas da realidade do nordestino brasileiro.

Nascido numa pequena vila do sertão de Alagoas, Graciliano Ramos de Oliveira comoveu-se, desde cedo, com o sofrimento do povo nordestino. Ainda jovem, trabalhou no Rio de Janeiro como revisor. Aos 18 anos mudou-se para Palmeira dos Índios, onde o pai era comerciante.  Lá perdeu três dos seus 14 irmãos, vitimados pela peste.  Sete anos depois, foi eleito prefeito da cidade. Renunciou e se mudou para Maceió.

O estilo irreverente e irônico de seus relatórios de trabalho chamou a atenção do poeta e editor carioca Augusto Frederico Schmidt que, em 1933 lançou o livro de estreia de Graciliano, Caetés.

Em 1935, acusado de participar da Intentona Comunista, foi preso. Passou dois anos nas prisões do Estado Novo, experiência que lhe rendeu o livro Memórias do Cárcere, que deixou inacabado.

Nos primeiros escritos, guarda forte influência de Eça de Queirós e do realismo clássico, que se dilui a partir de São Bernardo. Nesse romance, em estilo mais introspectivo, narra uma tragédia rural brasileira. De fundo fatalista, Vidas Secas – comovente história de uma família perdida na seca nordestina – se torna um dos grandes clássicos da literatura brasileira. Suas ficções tratam da solidão e do desamparo do homem, massacrado pelas contingências e submetido a forças adversas, que não pode dominar. Compões, assim, impecáveis retratos da dor e da experiência da opressão.

Em suas mãos, a escrita regionalista explode, alargando-se até o conflito doloroso entre o eu e o mundo externo; ela se transforma, assim, em sutil reflexão existencial.

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