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Maria de Lourdes Leite Barbosa

Titular da Cadeira nº 20

 

O belo casarão do casal - Auton Aragão e Adalgisa Corrêa

Ana Lucila, o quadro me despertou muita emoção! Maravilhoso! Embora a foto seja de um tempo mais recente, quando um muro de proteção já cobria a bela escadaria dupla, que se encontrava no alto, encimada por um jarro enorme com flores naturais. Sua missão é essencial para nós que amamos nosso torrão natal: pintar os casarões antigos dos tempos áureos do Ipu dos nossos antepassados. Foram-se eles, suas casas, suas obras, mas, hoje, você os resgata do esquecimento, das inúmeras camadas de pó que os cobriam e os traz novamente à circulação. E o faz em forma de arte. Suas telas são guardiãs da memória de uma época muito importante de nossa História, elas nos fazem recordar figuras que foram fundamentais para o desenvolvimento de nossa cidade e do Estado. E recordar é trazer de novo ao coração. Já pensou em realizar uma exposição com todos os seus quadros?

Este belo casarão, leva-me de volta à infância. Como em sonho, vejo entes queridos se movendo diante dos meus olhos na grande sala de assoalho. As sensações se misturam e se confundem: o ruído de meus passos nas tábuas, a quantidade de compoteiras alinhadas sobre o aparador, o sabor das iguarias, as mãos suaves da minha tia em meus cabelos e o doce perfume dela no ar. A grande casa foi construída para abrigar a família de meus tios-avós, Auton Aragão e Adalgisa Corrêa Aragão; ele, irmão de meu avô paterno, Manoel Dias Martins e ela, irmã de minha avó materna, Otília Corrêa Quixadá. O casal teve dois filhos: Thomáz Corrêa Aragão, conceituado médico, em Sobral, e Félix Correa Aragão, promotor de justiça, no Ipu. Infelizmente, Adalgisa morreu de parto e Auton casou com a jovem cunhada (de 15 ou 16 anos) para que seus filhos fossem cuidados pela tia, o que era costume naqueles idos tempos.

Quando tio Auton morreu, tia Maria casou-se com meu tio José Dias Martins, irmão de meu pai, Francisco Dias Martins. Não conheci o tio Auton, somente a tia Maria, que chamávamos Babaía, do mesmo modo que minha mãe a chamava. Era menina quando ela faleceu.

O Coronel da Guarda Nacional Auton Aragão era homem de muita leitura, probo, inteligente, grande comerciante e chefe político, fez parte da Assembleia do Ceará como deputado, por três vezes foi eleito prefeito de Crateús, fundou em sociedade com meu tio José Dias Martins e minha tia Leopoldina Dias Barbosa a firma “Dias Aragão & Cia”, da qual, mais tarde, meu pai se tornou sócio.

Acredito que estas informações sejam esclarecedoras para aqueles que não conheceram essa ilustre casa, que poderia ter sido tombada pelo patrimônio histórico.

Lourdinha Leite Barbosa

(Tela pintada pela artista plástica - Ana Lucila Aires Martins, acadêmica titular da Academia Ipuense de Letras)

 

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