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José Solon Sales e Silva

Titular da Cadeira nº 34

 

“SE NÃO TIVER UMA PITADA DE BEM QUERER NADA FAZ SENTIDO”

            Dizia e diz o Guido. Na verdade Guido Alves Nascimento. Uma pessoa que sente e faz sentir. Músico clássico, de violão, chato e exato maioria das vezes. Veio de longe: de Mossoró, lá nascido, lá criado e hoje anda pelas bandas do Juazeiro de ‘meu Padim’. É do ‘país de Mossoró’, no dizer de Rosado.

            Segundo ele morava no Abolição I, lugar de pertença? Não sei. Pra ele sim pra nós não. Mas foi um músico baiano pelos idos de 1995 que o despertou para o violão clássico. Postura, fidalguia ao pegar o violão.. Posição ereta e firme ao segurar o instrumento. Um verdadeiro músico clássico. Possuidor de postura e erudição.

            Conservatório de música Dalva Stela Nogueira Freire, com quem trabalhei e quem admirei. Na paixão, foi estudar violão, o Guido, não eu. Ali travou conhecimento com o estilo clássico estudando os métodos de Enrique Pinto, Francisco Tárrega, Mauro Juliano e Fernando Carull, para ser mais exato, Ferdinando Maria Meinrado Francesco Pascale Rosario Carull. Quem foram estes homens? Enrique Pinto, brasileiro de São Paulo é considerado um dos mais importantes didatas do violão do século XX em todo o mundo; Francisco de Asís Tárrega Eixea, espanhol nascido em Barcelona no século XIX revolucionou a composição para violão;  Fernando Carull italiano nascido no século XVII é considerado o mais famoso compositor clássico e violonista da história. Grandes homenas da música clássica do violão.

            Hoje, passado algum tempo é conhecedor e estudioso dos clássicos do violão João Pernambuco, Villa Lobos, Franz Schubert, Verdi, Vivaldi. Estes foram populares em sua époco. Hoje são clássicos. E Guuido não parou. Interessado no instrumento e curioso por natureza foi estudar Licenciatura em Música na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Solfejo, canto, harmonia, regência, aprendeu por lá. Tocar e tocar bem? Aprendeu com o dom e com o esforço diario. O dom da vida e o dom da arte. Sensibilidade? Tem. Esforço para o aperfeiçoamento? Também. Gosto pelo violão clássico? Sempre.

            Em um tempo de sua vida necessitou tocar na noite, para sobreviver. Há alguém que sai a noite que “curte” o clássico? Talvez. Coitado, teve que aprender o fácil, o popular para sobreviver. Oportunidades que a vida nos apresenta. Foi além. Além do bom, do melhor que o cla´ssico. Do popular para sobreviver, e sobreviveu e esta vivo e pulsante com seu clássico, com sua Janise que conheceu na noite, com sua Yasmim, fruto do noite. Vida pulsante. Sempre? Talvez, não sei. Sei que viver é bom, mesmo com adversidades.

             E Guido, o clássico, participou de mutos Master Class, se rebolou para ser aluno de Abel Carlevaro que foi um urugaiui virtuoso viiolonista e compositor de violão erudito. Também foi aluno de Turíbio Santos, musicólogo brasileiro não menos famoso que os demais. Estudou ainda com Eduardo Fernandes, João Luis, Fábio Zanon, Marco Pereira. Nós, pobres mortais, sequer sabemos quem são. Vocês, leitores cultos certamente saberão que são e foram grandes da música erudita do violão. SolosSempre solos dos mais belos.

            Vi, ouvi e assiti Guido interpretar a “Marcha dos Marinheiros” quando  meu cunhado/pai recebeu uma comenda “in memorian” na minha amada Ipu. Lindo, divino. E lá estava Rogério Aires, um músico, compositor, entendido de tudo isso assistindo hieraticamente, além de atentamente o Guido, homenageando o seu sogro. Um momento ímpar.

            Bertim era do papoco, gostava do divertimento, talvez não entendesse muito do clássico, mas entia do bom gosto e Guido tocou várias e várias  vezes pra ele e ele ouvia respeitosamente e atentamente. Respeitava. Aplaudia. Não sei se gostava do clássico. Penso que ele preferia a música popular brasileira.

            E Guido fez e faz trabalho voluntário na praça pública do Memorial da Resitência no país de Mossoró. Que espetáculo. Iniciou este projeto em 2007. Um ano depois ficou desempregado e ia, religiosamente a pé de sua casa até a praça, uns 12 km ida e volta, para dar aulas dos 8 aos 80 anos.

            Caminhando e tocando. Estudando duro e aperfeiçoando, tocando cada dia melhor, teso, reto, disciplinado. Um músico clássico, ewfetivamente. E gosta de Antônio Francisco, poeta popular fazedor de versos de verdade. Recita Antônio Francisco em meio aos acordes clássicos. Erudito e popular? Arte e cultura.

            Ganhou a medalha Vingt et Un Rosado; recebeu trofeu do Instituo Cultural do Oeste Potuguar. Recebeu medalha da Câmara Municipal de Mossoró e o trofeu do café e poesia. E ele diz: “eu não tenho nada que preste, mas isso é bom” e começa a tocar outra vez, divinamente bem, com técnica, com alma.

            Seu sonho? Adquuirir um violão feito por encomenda ao grande violonista clássico e lutir Sérgio Abreu.  Passou dois anos na fila. Foi buscá-lo no Rio de Janeiro e Sérgio, além de fabricá-lo tocou para ele. Máagica, realização de sonhos. E eu? Escuto e prestigio sempre as audições que ele faz para mim com excllusivadde. Sou um ser abençoado.

            Somos privilegiados e “se não tiver uma pitada de bem querer nada faz sentido”.

Coco, 07/02/2019

 

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