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Maria Silonildes de Mesquita

Titular da Cadeira nº 38

 

UM OLHAR PSICANALÍTICO PARA A INCLUSÃO!

Vivemos num mundo marcado por uma grande competitividade e portanto muito excludente. Mas precisamos entender que numa sociedade doente, sofrida e ferida, é preciso um olhar de amor mais profundo, onde perpasse pela superficialidade. Pois incluir não é somente deixar estar junto, estar perto. É também diminuir nosso ritmo para melhor conhecer, acatar e ajudar o outro tão necessitado de tudo. O necessitado se sente excluído, se sente só e é aí que suas doenças emocionais aumentam, porque a rejeição é uma ferida aberta na alma e difícil de cura.Pessoas que se sentem rejeitadas, sozinhas adoecem muito mais. Elas precisam de atenção, carinho e também por muitas vezes do conforto material e de políticas públicas sérias, que não estejam a garantir direitos somente no papel, mas que perpassem os muros e vá as ruas e as instituições. Pois incluir vai muito além de um abraço !

É aí que entra o olhar do psicólogo e do  psicanalista, dar conta do sofrimento psíquico e emocional de muitos, tentar melhorar a saúde e o bem- estar de muitos através de escuta com amor e profissionalismo. Já a psicanálise é uma área do conhecimento, uma forma de ver e repensar o mundo, as neuroses, a infância, os relacionamentos, a subjetividade, a sociedade como um todo.

Esta inclusão maquiada que tanto se fala, tem muito a melhorar, principalmente nas Escolas públicas do Brasil.

As Escolas estão verdadeiras clínicas com pessoas doentes, acometidos de várias síndromes e portanto precisamos de mais apoio e profissionais que façam estes trabalhos psicológicos dento delas.

A síndrome do pânico tem tomado muito espaço nos últimos anos, tempos difíceis onde o cidadão não se sente seguro meio a tantos acontecimentos aterrorizantes.FREUD denomina de” mal estar na civilização”. O pânico nada mais é que um dos efeitos do desamparo do sujeito contemporâneo. É um vazio existencial produzido pela destruição das visões de mundo. O sujeito contemporâneo está a mercê da solidão e do vazio.

Quando se pensa em inclusão , se pensa muito em derrubar barreiras físicas. Mas a maior de todas as barreiras são as atitudinais, porque elas fundem-se em preconceitos, estereótipos que produzem a discriminação. Reconhecer as potencialidades das pessoas com deficiência não significa se colocar no lugar delas, da posição de onde estamos, como nós vemos e agimos diante do outro e qual a nossa contribuição na formação do mesmo.

A inclusão nos convida ao cenário da aprendizagem ciente da fragilidade humana. Ela possibilita um olhar sensível e reflexivo sobre a diversidade humana. Como afirma Lima ( 2005 ), a inclusão, portanto, não é algo que se fala, mas algo que se vive, intensa e conscientemente, contínua e tenazmente,concreta e francamente. A INCLUSÃO É A PARTICIPAÇÃO DE TODOS PELO TODO, COM TODOS.

Neste contexto, numa sociedade inclusiva todos devem ter acesso às oportunidades de ser e estar. Assim, a concepção inclusiva pressupõe uma ressignificação da Escola que temos e da Escola que queremos.

Possivelmente, esta Escola é idealizada pela maioria dos educadores, no entanto a existência de barreiras visíveis e invisíveis na sociedade representam muralhas na organização pedagógica da Escola. Mas acessibilidade é transformar o ambiente físico para a autonomia e liberdade de ir e vir de qualquer pessoa com deficiência, colocando rampas, deixando o chão apropriado( sem buracos e sem obstáculos), pisos táteis para cegos, identificação e mapas em braile e em libras e outros. Você tem visto isto nos colégios e nos logradores públicos ?

Barreiras atitudinais é uma barreira que existe entre as pessoas, é um preconceito com o diferente, que coloca um muro, uma parede ( sentido figurado ), entre uma pessoa com deficiência e a outra sem deficiência. É uma atitude que exclui.

A inclusão envolve tudo, tanto a acessibilidade quanto a quebra de barreiras atitudinal. A inclusão é um valor, uma cultura na qual não há um olhar de diferenciação. Quem luta pela inclusão , luta pelo direito de um dia não se falar mais disso, porque quando esta  situação for realizada e aceita por todos, teremos de fato a INCLUSÃO. Igualdade e direitos iguais para todos. Isto que é normal ! Sempre que falamos de inclusão é porque ainda existe exclusão. Exclusão é excluir a pessoa do grupo, como não aceitá-la na sala , escola, ambiente de trabalho e grupo social. E segregação é colocar a pessoa no grupo, mas a deixa de fora do contexto do grupo.

A Escola, mesmo sem muito suporte financeiro e físico tem trabalhado muito para melhorar a inclusão, mas também tem sido muito desamparada pelas políticas publicas e sociedade civil como um todo. Geralmente os profissionais de educação possuem um valor e cultura de tratamento de igualdade para a diversidade.Sabemos que cada um tem o seu potencial e diferenças para o aprendizado independente se tem ou não alguma deficiência. Isto é entender a particularidade de cada um. É utilizar estratégias para que a pessoa entenda o tema, entenda o trabalho e faça a partir de inovações criativas e de acessibilidade com o grupo ao todo. Nesta inclusão sempre há a quebra de  barreira atitudinal. É um olhar de humanização.

Fortaleza 16/09/2019

(Trabalhando a semana nacional da inclusão e diversidade para a sensibilização de todos.)

 

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