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Abílio Lourenço Martins

Titular da Cadeira  nº 12

 

A reforma do projeto da previdência

 

Quem de nós se arrisca, com convicção, afirmar ser contra ou a favor do projeto da previdência que se encontra em tramitação no Congresso Nacional?

Sejamos sinceros. Poucos, pois esse projeto é complexo e muito abrangente. Não podemos, simplesmente, dizer sim ou não, como a maioria dos nossos parlamentares descompromissados com a sua própria consciência, na guerra irresponsável e alienada do “nós contra eles”.

O projeto em discussão, conforme afirmei, é complexo. Trata de inúmeras mudanças nas variadas classes de trabalhadores.  Versa do tempo de transição e das mudanças nas alíquotas de contribuição, dos cálculos dos benefícios, implantação do benefício de prestação continuada (BPC), sistema de capitalização, aposentadoria por incapacidade permanente, pensão por morte, dentre outras.

Estão contemplados nesse projeto os servidores públicos e civis, trabalhadores rurais, professores, parlamentares, forças armadas, policiais civis, federais, agentes penitenciário, enfim, todas ou quase todas as categorias.

Está correto, por exemplo, um servidor público ou militar se aposentar aos 50 anos incompletos, com salário integral no regime que lhe ampara?

Está correto um servidor se aposentar com duas ou três aposentadorias?

Está correto um servidor aos setenta anos se casar simplesmente para transferir para o “cônjuge” seu salário ou soldo?

Está correto um servidor civil passar 35 anos trabalhando e se aposentar com um ou dois salários mínimos?

Não. Não está correto.

Faço coro para que os nossos parlamentares e a equipe econômica sentem à mesa, discutam como gente grande e aprovem com sinceridade o que é melhor para o nosso país.

O remédio é amargo, sabemos, pois, essa doença já vem há anos sem que os nossos políticos tenham a coragem de enfrentá-la, com o receio de perder votos na sua base política. Isso é fato.

Abílio Martins, 9 mai 2019

 

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