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Abílio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

 

O erro

 

O erro é, a princípio, inadmissível, mas inerente ao ser humano. Quem de nós nunca cometeu erros? Cometemos e cometeremos, certamente.

Neste texto não me refiro aos erros cometidos na intenção de acertar. Acho, inclusive, fundamentais e necessários para o crescimento e desenvolvimento intelectual, principalmente quando enfrentam os desafios.

Refiro-me, exatamente, aos erros tidos como dolosos.

Quantas vezes, por exemplo, fomos induzidos ao erro, nos arrependemos e no dia seguinte estamos a repeti-lo?

Quantas vezes de joelhos fomos perdoados pelo confessor, narrando as nossas pequenas falhas, e no dia seguinte repetindo-as?

Lembro-me, do seminário, quando éramos obrigados a nos confessar semanalmente. Escolhi como confessor um querido padre e amigo – Padre Eduardo.

Mal me ajoelhava, ele, já ciente do meu inocente pecado, perdoava-me dando-me a leve penitência de um Pai Nosso e uma Ave Maria. (O leitor, ávido, está, certamente, curioso para saber o pecado daquele pré-adolescente. Estou na dúvida de expô-lo).

Continuemos sobre o tema principal:

O erro se materializa quando o autor, decididamente, não o reconhece, agravando-se quando ocorre dano a honra de terceiros.

Entretanto, quando este erro é reconhecido pelo autor e não lesionou a honorabilidade de terceiros, já podemos conceitua-lo como falha. Principalmente quando vem acompanhado do reconhecimento e do propósito de não mais cometê-lo.

Podemos, inclusive, reconhecer este erro como uma ponte para qualificar as nossas virtudes, o nosso caráter.

Padre Eduardo fiz coisa feia com as mãos”.  Era esse o meu pequeno e inocente pecado, que embora comprometendo-me em não mais fazê-lo, acompanhou-me por anos, cedendo lugar a outros, da mesma natureza.

Que Deus me perdoe!

Abílio, 23mar2019

 

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