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Maria Silonildes de Mesquita

Titular da Cadeira nº 38

O GRITO QUE A LAMA CALOU!

    Minas chora convulsivamente pelos filhos que se foram. Seu choro é de dor, mágoa e revolta por àqueles que partiram, sufocados e sucumbidos pela ganância dos poderosos. Nem gritar puderam, suas vozes foram caladas na garganta, por uma enxurrada de lama.

   Brumadinho, não tem paz, nem trégua. Como aves de arribação vivem estes dias. Os seus ninhos de amor foram destruídos e tudo agora é tristeza e desolação. Muitos já dormem em pé, esperando o toque da sirene. Estão todos doentes física e emocionalmente. O desassossego na alma é grande, a angústia e a dor são latentes! Estão em desespero, não sabem o que fazer, onde fazer, estão sem chão. Tudo foi devastado! Vivem momentos de grande perda. Olham, buscam e não encontram o filho amado, o vizinho amigo, a esposa companheira. Não encontram nada dos seus pertences, nem mesmo a sua identidade.  
     Pobres criaturas humanas, sem forças e sem dignidade para lutar pelos seus direitos. Agora estão a mercê da compaixão e da misericórdia de muitos. O momento é de partilha, amor e união. Deixemos de lado nosso individualismo, nossas questões partidárias que não nos levam a nada e vamos nos levantar, e de mãos dadas e juntos, fazer ecoar em todo Brasil de norte a sul, o seguinte refrão; VALE DO RIO DOCE, DEVOLVA A MINAS, EM TEMPO RECORD A SUA DIGNIDADE! 
   Precisamos lutar pelos nossos irmãos mineiros e exigirmos uma resposta imediata e de resultado preciso do poder público, pois estas catástrofes vêm se repetindo e ameaçando acabar com Minas. Agora, nossos irmãos de Brumadinho, estão sem teto, sem esperança, sem nada. A ganância dos poderosos, nunca enxerga a destruição do próximo!

 

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