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José Solon Sales e Silva

Titular da Cadeira nº 34

 

OS ALBUQUERQUE

            Conheço alguns. Júlio Maria, Cristina, Norma, Silvana. Teria sido esta a ordem de chegada ao mundo? Não sei, mas sei que são pessoas queridas. Lindas. Medicas e engenheiros. Mas isso é o de menos. E ainda Pedro e Paula? Curioso, os que chegaram para agregarem-se todos com “p”. Queridos de minha mulher, queridos por mim. Quem sabe a vida não é. Quem sabe a vida é.

            De acordo com a literatura a família Albuquerque tem ar de nobreza. Chegou ao Brasil, ainda colônia e se instalou inicialmente em Pernambuco, depois no Rio Grande do Norte e Ceará. Esta família é um ramo da família Menezes. Dom Afonso Teles de Menezes foi o primeiro povoador de Albuquerque, vila espanhola, na região de Estremadura, que dista em torno de 270 km de Lisboa. Um dos bisnetos de Dom Afonso, Dom João Afonso de Albuquerque, que foi o 4° senhor de Albuquerque, no século XIII, foi quem passou a adotar o sobrenome Albuquerque. Dele descendem os Albuquerque na Espanha, em Portugal e no Brasil.

            É conveniente dizer que este é um dos sobrenomes mais nobres da Península Ibérica, surgida na Idade Média. O nome, oriundo do latim albus que significa branco, claro e quercus que quer dizer carvalho, consequentemente carvalho branco. E olha que Cristina é bem branquinha. Em árabe este nome significa o domador de cavalo branco, pois o prefixo Al denota a influência árabe no nome e sabe-se que os árabes dominaram a península, principalmente a Espanha por muito tempo. 

            Chegados ao Brasil no século XVI radicaram-se em Pernambuco, como já afirmado antes, descentes dos primeiros migraram para o Ceará e estes amigo de quem vos fala são filhos de Yolanda e Gerardo Albuquerque, portanto lídimos descentes de Dom João, quem sabe da décima ou mais geração.

            Já dona Yolanda tem forte ligação com o Ipu, consequentemente comigo. Os Lima, família antiga daquela terra, nas pessoas de Joaquim e Monsenhor Gonçalo, foram clientes e amigos de meu pai. Em nosso acervo guardado por meu pai existe grande número de bilhetes e cartões que Monsenhor Gonçalo trocava com meu pai. E dona Yolanda e tia Osória? Irmãs. Curioso, à mulher com quem casei, Fátima Helena, era amiga de infância dos Albuquerque e dos Sales, família originária de dona Yolanda e tia Osória. O hábito de chamar dona Osória de tia foi adquirido por minha mulher pela convivência com os Albuquerque. Muito amiga das meninas, passou a amizade também para a família da cunhada do Sr. Gerardo.

            Tia Osória e dona Yolanda filha de dona Ester, dos correios do Ipu, depois dos correios de Fortaleza, onde se aposentou e morreu. Dona Ester era irmã de dona Gessy, da famosa Vila Gessy do Sr. Joaquim Lima, logo Ester era cunhado do Sr. Joaquim Lima. Gessy e Ester da família Sales. Por conseguinte somos parentes.

            Sei que Júlio, Cristina, Norma e Silvana são Albuquerque queridos. Educados, finos, fidalgos como os vinhos portugueses ou espanhóis. Frutados, fortes, firmes e encorpados. Por mim queridos, por nos amados, fidedignos. Observadores e reflexivos. Conselheiros leves, frutados. Também, queriam o quê? São de boa cepa, tem origem, notadamente a fidalguia. Cristina e Norma moram em Campinas. Ao chegar por lá a recepção é impar. Louça barroca, geladeira lotada. Penso que aprenderam com o Sr. Gerardo, rígido, hierático, firme e de certa forma passou essa firmeza aos filhos. Cada um em seu estilo.

            E o Pedro? Marido da Cristina, de origem italiana, um gourmet e um chef de mão cheia. Neto de italiano, também fidalgo e de uma educação refinada além de bem receber é protagonista de petiscos e jantares memoráveis. Como lida bem com a gastronomia! E a mesa do jantar ou almoço? Inimaginável. Louça inglesa, cristais da Bohemia, toalhas de renda do Ceará, serviço de talheres de aço inoxidável, pesados e elegantes. Feita a mise en place com requinte e fidalguia, com toda a sala adornada de flores naturais e castiçais a mesa, na hora em que são acesas as velas é momento de degustar. Hum! que sabores exóticos e que exímio cozinheiro, como se diz pelas bandas da minha terra. Prático, rápido é efetivamente um grande chef . Admirável o Pedro. E vieram ele e Paula, que, aliás, foi minha aluna de turismo viu, para o seio dos Albuquerque.

            Pois o brasão desta família é esquartelado, sendo o primeiro e quarto escudo em prata, com cinco escudetes azuis postos em cruz e detalhe, cada carregado de cinco besantes de prata em sautor. Entenderam? Nem eu. Deixemos a heráldica para quem entende. Sei que neste brasão existe a flor-de-lis em ouro. E sei também que a flor-de-lis é a flor da realeza que indica fidalguia.

            Será se isso importa? Sei com certeza pela convivência com eles que são fidalgos e que esta fidalguia se expressa pela paciência, elegância e, sobretudo amizade que eles tão bem expressam e expressaram sempre, ou gostam da gente ou nós gostamos deles. Na verdade gostamos e admiramos todos eles e isso é o que importa. Somos Albuquerque e somos Sales, antes de tudo cearenses e com origem em Ipu. Ipu é mágico e tem magias espalhadas mundo afora!

Coco, 19/11/2017

 

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