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CLÁUDIO CÉSAR MAGALHÃES MARTINS

Titular da Cadeira nº 11

 

Sinais de trânsito 

Diariamente, ao trafegar pelas ruas de Fortaleza, deparo-me com os mais diversos personagens que atuam nos sinais de trânsito.

Logo no primeiro quarteirão, após o Condomínio onde resido, um ambulante se encontra dia após dia, oferecendo produtos que vão desde brinquedos até equipamentos para aparelhos eletrônicos.

Um pouco adiante, crianças apresentam-se em acrobacias variadas, trepadas em banquinhos ou nos ombros de outras crianças, após o que estendem a mão para os motoristas parados no sinal vermelho.

Prosseguindo, vejo um adulto pendurando nos espelhos retrovisores dos carros um dispositivo contendo bombons, que é recolhido rapidamente, antes que o sinal vermelho mude. Obviamente, espera que alguns motoristas mais generosos recolham esse dispositivo mediante uma pequena remuneração.

Em outra parada, um vendedor de frutas se dirige a todos os carros que aguardam a abertura do sinal, oferecendo seus produtos.

Mais adiante, deparo-me com mulheres jovens, tendo nos braços bebês de poucos meses, solicitando uma esmola de quem ali foi obrigado a parar.

Em outro sinal, indivíduos limpadores de para-brisas, portando água e um pequeno rodo, oferecem seu “serviço” a quem se dispuser a remunerá-los.

Isso para não falar dos numerosos mendigos, (dos quais nossa capital é pródiga), que apelam insistentemente para a caridade do condutor do veículo, expondo, para tanto, suas mazelas e deformidades.

Uma reflexão que sempre me vem à mente me remete a outros países que lograram maior nível de desenvolvimento: será que nestes países ocorre  algo  semelhante ? Parece-me que não. O certo é que o Brasil, com a imensa disparidade de renda e de oportunidades que sofre, precisa evoluir de forma extraordinária, principalmente no tocante à educação, para que os sinais de trânsito (entre outros setores) sirvam ao fim precípuo a que se destinam e não à triste exibição de pobreza e indigência que ali mostram a sua cara.

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